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O compositor de letras inteligentes

Com uma proposta jovem e evangelística, o compositor, instrumentista e cantor Luiz Artur iniciou sua carreira nos anos 70, trazendo uma música de boa qualidade ao meio evangélico.

 

Além de dois compactos, lançou os seguintes LPs pela gravadora Califórnia, de São Paulo:

1. Drogas matam (1976)

2. Liberdade (1979)

3. O moço de Nazaré (1980)

4. A história mais bonita (1982)

5. Um novo cântico (1983) 

6. Meu amigo, meu abrigo, meu ideal (1984)

7. Onde encontrar a paz (1985)

8. O novo Israel (1986)

9. Recomeçar (1992)

10. Salomão e as formigas (1995).

 

Atendendo um convite do Arquivo Gospel ele concedeu gentilmente essa entrevista, via MSN, dia 20/02/06.

 

Arquivo Gospel: Quando foi sua conversão?

Luiz Artur: Minha conversão a Cristo aconteceu na cidade de Centenário do Sul, Paraná, dia 05 de novembro de 1972.

 

Como foi esse encontro com Cristo?

A Igreja Presbiteriana Independente de Maringá-PR e região promoveram um encontro de jovens na Cidade de Centenário do Sul. Nessa ocasião eu, recém-casado e residindo em Nova Esperança, também no Paraná, fui junto com os jovens participar desse encontro. Estava lá o conjunto Os Ligados e o preletor Pastor Jessé Murphi, meu pai na fé. Foi uma experiência tremenda! Ali houve o novo nascimento e o meu chamado para pregar o Evangelho de Jesus.

 

Foi por essa época que você se interessou em ser músico?

Não. Eu já era músico instrumentista. Integrei de 1966 a 1969 a Banda Marcial do Colégio Cristo Rei da Cidade de Marília onde passei boa parte da minha infância. Era compositor de música popular. Queria na época que o Roberto Carlos gravasse músicas minhas. Tinha umas 16 canções. Após minha conversão joguei fora essas músicas e comecei a compor as músicas que hoje eu canto.

 

Os Ligados foi o primeiro grupo evangélico que você ouviu?

Foi. Depois comprei um LP da MARA DALILA que eu ouvia todos os dias. Em Maringá conheci o NICOLETI e o FERNANDINHO já falecido. A partir daí fui realizar meu grande sonho que era gravar um disco.

 

Como surgiu o campacto “Drogas matam”?

Escrevi a música e a letra do compacto “Drogas matam” em Maringá, mas já residia em Londrina quando começamos os ensaios com 5 músicos japoneses, já com o objetivo de gravar o compacto duplo Drogas Matam. Quando ainda tocava piston em circos, me apresentando com o quarteto Tião Ferreira, Gumercindo, Luizinho e Arturzinho e depois tocando com o grande cantor da época "Ramoncito Gomes", conheci o Mário Vieira que era o dono da Gravadora Califórnia. Tivemos uma conversa e assinei meu primeiro contrato. Fiquei na gravadora Califórnia tendo o Mário Vieira como meu produtor por 19 anos.

 

Qual foi a reação do público evangélico diante do "Drogas matam"?

Tremenda! Fui discriminado em 1976; meus discos foram quebrados por muitos pastores de Norte a Sul do Brasil. Já ouvi histórias interessantes a respeito. Mas tudo isso tinha que acontecer. Quanto mais falavam contra, mais o disco era procurado. Através do "Drogas Matam" me constituí no pai na fé do maior contingente de ex-drogados do Brasil. Em todas as cidades brasileiras, você vai encontrar alguém que se converteu com a música "Drogas matam". Jesus é tremendo!

 

Você saberia dizer, quais as igrejas cujos membros eram mais abertos a essa novidade?

Nesta época, muitas Igrejas proibiam o uso da guitarra, do contra-baixo e da bateria. Era uma época muito difícil. O "Drogas Matam" se tornou um fenômeno de vendas. Na verdade os jovens, mesmo sendo evangélicos,  se sentiam oprimidos com o regime duríssimo em muitas igrejas que pregavam que tudo era pecado. Não podia usar um tênis. Uma calça amarela, por exemplo, era complicado. Mesmo as igrejas da ala chamada tradicional ficavam com um pé atrás. Nessa época quem fazia sucesso era o LUIZ DE CARVALHO, FELICIANO AMARAL, EDGAR MARTINS e o OZÉIAS DE PAULA com o grande sucesso "Cem ovelhas". Aí aparece o LUIZ ARTUR falando em drogas. As Igrejas não se interessavam pelo assunto, pois muitos não sabiam do que se tratava.

 

O que aconteceu depois do LP Drogas Matam até o LP Liberdade?

Antes do LP "Liberdade", em 1978, um ano antes, fizemos o LP "Drogas Matam". Iniciei as viagens pelo Brasil em uma Perua Veraneio e, depois, viajamos muito com uma Belina já transportando nosso som próprio. Depois vieram os dois caminhões.

 

A impressão que tenho é que o Liberdade não parece uma continuidade do “Drogas matam”, pois é um disco mais   suave. Essa diferença em termos de ritmos foi resultado de algum tipo de pressão provocado pelo "Drogas Matam"?

Não. Pelo contrário, o LP "Liberdade" foi outro grande sucesso. Ele tem músicas polêmicas, também, para a época.

 

No geral você contava mais com músicos não-evangélicos?

Músicos de Estúdio sim, os melhores do Brasil, como o pessoal da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

 

Mas você tinha ou ainda tem sua própria banda?

Sempre cantei acompanhado de violão, guitarra e play back.

 

Há ainda restrinções por parte dos evangélicos em relação à sua música?

Hoje não. Cantam todas as minhas músicas, o tempo foi o meu grande aliado. Hoje subo em quase todos os púlpitos.

 

Considerando que você tem várias canções de crítica social, isso nunca causou problemas onde se apresentou?

Pelo contrário, a força da música atinge a alma. Deus usa este tipo de música para a conversão.

 

Quantos CDs você está colocando no mercado?

Depois de milhares de discos de vinil vendidos, agora estou colocando no mercado, nessa nova etapa da minha vida, 50.000 CDs.

 

Desde 1995 você não lança novo disco. Tem planos para um novo CD?

Agora lanço entre abril e junho o DVD. Depois vou pensar no novo CD.

 

Já foi gravado?

Estamos produzindo um DVD histórico em nosso estúdio.

 

Quer dizer que ele não virá de uma apresentação ao vivo?

Não. Será um DVD com vídeo-clipes. Um trabalho muito profissional onde você terá todos os fatos que aconteceram em 1976. Muito profissional mesmo, diferente, bem interativo, com vários menus, testemunhos e, provavelmente, mostrando os grandes trabalhos evangelísticos da época onde por noite tínhamos cerca de 15.000 pessoas, com dezenas de conversões.

 

O que é a Acerola?

Acerola é hoje uma editora, produtora de vídeos e gravadora. Além disso, detemos dois produtos patenteados e por nós produzidos: um porta-óculos para ser usado no quebra-sol dos carros e um porta-lata para carros, ônibus, barcos, lanchas e aviões.

 

Ela oferece espaço para outros cantores e grupos?

Não. A Acerola é uma Empresa que dá suporte ao meu ministério. Somente para as minhas produções e, agora, estamos na eminência de inaugurarmos nosso estúdio de produção pesada de Dvd´s no novo projeto nosso.

 

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Fazer história é isso: usar do dom concedido por Deus para ganhar almas. Esse é o meu maior alvo.

 

 

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