O Trio Maranata surgiu em Porto Alegre-RS em 1968 e terminou suas atividades em 1974, na cidade de São Paulo. Formado pelos jovens Alfredo Fontanella, Célia M. Grays e Luiz Carlos Wichmann, que já haviam iniciado anteriormente suas carreiras-solos, tendo-as interrompido em prol do novo grupo.
Explorando ritmos como jazz, blues, country, dentre outros, o Trio Maranata lançou os seguintes discos:
1. Adeus mundo (1970), pela Califórnia
2. Três vozes, um ideal: Jesus Cristo (1971), pela Califórnia
3. Sorria (1972), pela Louvores do Coração
Atendendo gentilmente nosso convite, o cantor Alfredo Fontanella, ou Freddy, atualmente morando em São Paulo, concedeu essa entrevista ao Arquivo Gospel, via e-mail, em 15/04/2008.
Qual a razão de o Trio se mudar para São Paulo, em 1970?
Passamos por São Paulo para gravarmos um disco. Nosso objetivo na época segundo o planejado era ir p/ EUA, mas como o disco teve sucesso, ficamos em São Paulo. O tempo foi passando e os casamentos mudaram nossos planos. Alfredo casou em São Paulo, Luiz Carlos casou em Porto Alegre (mora hoje em Curitiba) e Célia seguiu para Nova York.
A proposta do Trio Maranata era ser um grupo evangélico de música da jovem guarda?
Não. Com a chegada dos Beatles, houve uma abertura para os jovens, onde no Brasil começou a Jovem Guarda. Éramos de igrejas diferentes, reunimos para fazer um projeto de evangelização para jovens, com mensagens novas e ritmos variados da época.
Por que o Trio Maranata interrompeu suas atividades?
Apesar de ser um trabalho evangelístico tínhamos o objetivo de ir para o exterior, mas Deus que manda em todas as coisas, fez com que ficássemos no Brasil. O tempo foi passando, ficamos 6 anos nesse trabalho maravilhoso. O casamento foi dividindo o trio pelas responsabilidades familiares e filhos. Assim foi combinado entre nós interrompermos o trio.
Fale um pouco sobre a dupla Os Mensageiros!
Eu sempre continuei cantando e compondo. Então com o Célio Zupello, de São Paulo, nos unimos para fazer uma dupla diferente. Gravamos em 1977 o disco Clarinadas, pela gravadora Califórnia. Uma gravação duradoura no mesmo estilo do Trio Maranata. Divulgamos esse disco por 12 anos, viajamos pelo Brasil, evangelizando.
A dupla chegou a lançar outros LPs?
Não.
Por que esse projeto com a dupla não foi mais adiante?
Eu já tinha definido que não gravaria mais.
Depois da dupla Os Mensageiros, quando você recomeçou sua carreira-solo?
A partir de 1989, continuei cantando e viajando.
Em que ano você lançou cada disco da carreira-solo?
1. Um mensageiro maranata (2003)
2. No altar (2005)
3. Carruagem de fogo (2007)
Sua proposta musical na carreira-solo é muito diferente da música do Trio Maranata?
Não.
Não era comum ver trios com integrante mulher naquela época, especialmente de crentes sem grau de parentesco. Houve alguma resistência ou estranheza a isso por parte do público?
Não houve resistência porque era novidade na época, chamava à atenção. As mensagens alegres das músicas e as pregações eram cheias de unção.
O Trio Maranata sofreu algum tipo de repressão por causa dos ritmos musicais adotados?
Nunca houve repressão. Fomos muito bem aceitos pelo rádio e televisão.
Como os três integrantes se conheceram?
Eu tinha um outro trio masculino do mesmo estilo pop e, cantando pelas igrejas no Rio Grande do Sul, nos conhecemos. Éramos de denominações diferentes. Quando o Trio Alvorada se desfez, por falecimento de um componente, Deus preencheu esse espaço em 3 meses. Eles mesmos vieram a mim e eu os abracei, era a mão de Deus (Maranata).
O que foi o Trio Alvorada Celeste?
O Trio Alvorada Celeste começou na era do Beatles (1962), na introdução das guitarras na igreja com um estilo jovem. Os componentes Alfredo, Tuí e Levi congregavam no Ministério O Brasil Para Cristo. Fazíamos festivais de música evangélica e já estávamos preparando o disco que ia ser gravado pela gravadora Boas Novas, do cantor Luiz de Carvalho, em dezembro. Tudo foi interrompido pela passagem do cantor Tuí para o Senhor, em outubro de 1968. Nossa música “Adeus mundo” foi cantada somente 3 vezes. Não imaginávamos que era uma profecia. O trabalho do Trio Alvorada se estendeu pelo Rio Grande do Sul e todo ano fazíamos um programa especial chamado “Salmos e Melodias” no Auditório Araújo Viana no Parque Farroupilha, em Porto Alegre. Levamos cantores como Luiz de Carvalho, Mara Dalila (4 anos de idade nessa época), Sara sua tia, Trio Alvorada, Quarteto Âncora e muitos outros valores de várias denominações.
Por onde anda o Luiz Carlos? Ainda mexe com música?
Luiz Carlos mora em Curitiba. Seus filhos são músicos profissionais.
E a Célia, por onde anda?
Ela casou e foi para Nova York. A última vez em que a vi foi em Porto Alegre, em 1996.
É você quem detém os direitos autorais sobre os discos do Trio Maranata?
Sim.
Existe a possibilidade de serem relançados em CDs os discos do Trio Maranata?
Sim. Tenho os LPs no arquivo.
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