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Unidos no lar e na música

Trazendo uma música pop, com forte influência do country e rock, o casal Alma & Lua, membros da Igreja Presbiteriana de Casa Branca-SP, tem produzido uma música evangélica de boa qualidade e de caráter mais evangelístico. Suas letras mesclam poesia, conteúdo bíblico, criatividade e atualidade.

 

Sua discografia é composta dos seguintes CDs:

1. Caras pintadas (1997)

2. Desperta, América! (1999)

3. Sobrenome vento (2001)

 

Atendendo gentilmente um convite, Paulinho Alma, concedeu esta entrevista ao Arquivo Gospel, via e-mail, em 08/05/2008.

 

Poderia falar um pouco sobre o encontro de vocês dois com Jesus?

Quando estávamos nos preparando para gravar o primeiro álbum e iniciar oficialmente a carreira secular, em 1986, começamos a ler a Bíblia; na quarta página do livro de Gênesis, já havíamos aceitado plenamente Deus como Senhor e Verdade. Em 1991, após o lançamento do segundo disco e com a carreira em ascensão, uma pessoa que tinha se desligado da igreja Presbiteriana começou a nos assediar; ela estava iniciando um trabalho novo em Casa Branca-SP - cidade em que nascemos e moramos até hoje. Com este novo grupo, em uma comunidade neo-pentecostal, nos convertemos. Incluímos em nosso repertório alguns cânticos estrategicamente distribuídos entre as outras músicas com a intenção de usar o nosso trabalho musical em prol do Reino. Era surpreendente como as pessoas nos procuravam após as apresentações, demonstrando necessidades espirituais - falta de Deus mesmo... falta da Graça. Daí pra frente, a carreira secular foi declinando e o desejo de fazer um trabalho totalmente cristão foi nos tomando até que, no final de 1995, tivemos um grande problema causado, aparentemente, por algumas medidas do governo (Plano Real). Grande parte de nossas apresentações foram canceladas e, por mais que tentássemos promover shows e apelar para patrocinadores, não conseguíamos êxito. Foi então que, impelidos pelo Espírito, decidimos transformar a carreira secular em ministério.

 

Quando vocês começaram a cantar juntos?

Na verdade, o projeto de carreira era meu somente, ou seja, eu pretendia fazer carreira solo. Mas após participarmos de um festival - o primeiro de música regional promovido pela prefeitura da nossa cidade - decidimos apostar na carreira como dupla. Isso aconteceu em 1984, e participamos desse festival para trocarmos de moto apenas - caso vencêssemos, é claro. O que nos entusiasmou foi que ganhamos mais prêmios do que julgávamos  possível, então entendemos que o momento era de usar o casamento das nossas vozes para facilitar a escalada artística.

 

Como surgiu os nomes artísticos Alma e Lua?

Foi também em razão do festival: queríamos um nome diferente, original, poético; em uma das músicas que havíamos composto eu colhi os nomes "Alma/Lua" e gostamos.

 

Vocês chegaram a cantar no meio secular, antes da conversão?

Sim, lançamos dois álbuns - 1989/1991 - e tivemos algumas canções nas paradas de sucesso das principais emissoras de rádio do país; nos apresentamos em alguns programas de televisão e fizemos shows em exposições, etc.

 

Como se deu a formação musical de vocês dois? Passaram por escola de música?

Não estudamos nada de música; só depois, por causa do meu trabalho como produtor, comecei a estudar um pouco.

 

Por que a preferência pelo country?

Na verdade, o estilo da dupla não é exatamente country; está mais para um rock n roll caipira, folk ou algo parecido. Arriscaria até falar em World Music. A influência musical da Rah é mais rural que a minha: o pai dela tinha até um trio sertanejo chamado "Os Trovadores do Sertão", e ela sempre ouviu muito Tião Carreiro, Liu e Léu... A minha formação é mais americanizada; ouvi muita MPB, também, na adolescência. A fusão de todas essas tendências é que faz o verdadeiro estilo de Alma e Lua, e a gente tempera - nas gravações - com alguns instrumentos que a gente gosta muito. Talvez a pegada country aconteça mais em virtude de tentarmos não carregar demais as gravações para não complicar o "ao vivo", já que nos apresentamos acompanhados só de violão.

 

Existe algum cantor ou grupo de country que influenciou o som da dupla?

Os cantores country que mais nos influenciaram foram revolucionários no estilo: Willie Nelson, Johnny Cash, Bonnie Raitt... e os que mais nos influenciaram não são exatamente cantores de música country: Bob Dylan, Paul Simon, Eva Cassidy... e tem os brasileiros: Belchior, Almir Sater...

 

Como você avalia o country na música evangélica brasileira atual?

Não conheço a música cristã em detalhes; ouço mais música secular por um motivo muito simples: os artistas seculares me inspiram mais, do ponto de vista artístico. Porém, do que consigo captar, há basicamente duas espécies de artistas cristãos: Há artistas que são fiéis às inspirações, que criam e cantam o que acreditam e procuram produzir músicas e cds dando o melhor de si, mesmo que ninguém goste e que os recursos sejam escassos - procuramos imitá-los; e há o pessoal que faz "barulho no tom": tem muita preocupação com vendagem e compromisso com o sucesso, são algumas vezes pressionados por gravadoras que investem forte num marketing duvidoso - desleal até, levando em consideração que estamos fazendo a obra de Deus. Assim, não conheço nenhum artista brasileiro cristão fazendo country de qualidade; a maioria que ouço (por acaso) faz um trabalho com bom acabamento, porém sem conteúdo. A melhor música cristã feita hoje em dia tem tendências MPB e regional e os artistas não têm muita projeção.

 

O 3º CD está mais para o pop do que para o country. Essa é a postura musical atual da dupla?

O trabalho de Alma e Lua é "o que sopra no vento". Cantamos o que nos inspira e eu produzo os álbuns sempre tentando melhorar; quando componho, só utilizo as canções que falam comigo também, porque desta forma é que identifico quando são inspiradas. Os cds recebem arregimentação de acordo com as necessidades de cada música, levando em consideração o que se tem disponível em termos de dinheiro e elemento humano, nosso estilo simples e a inspiração ao produzi-los. O "Sobrenome: Vento" foi o melhor cd que lançamos, pois conseguimos uma qualidade muito superior aos outros dois, por um custo muito baixo. Na verdade, os dois primeiros foram utilizados como laboratório para que conseguíssemos o som desejado nas gravações com o menor custo possível. Talvez seja essa polidez no terceiro cd que tenha deixado a impressão de uma curvatura no estilo da dupla. Eu, particularmente, prefiro acompanhamentos mais simples, com violões no primeiro plano e quase nada nos outros (como a versão de Blowin in the Wind da Avril Lavigne). Mas o artista não consegue se conter; então, sempre que posso,  saio experimentando instrumentos que ainda não utilizamos, músicos que têm talento e não têm oportunidade, compositores novos com boas idéias, enfim, não tentamos segurar o que rola, pois pode ser que Deus queira que role assim...  

 

Você tem muitas composições “engavetadas”? Ou só compõe quando vai gravar um CD?

Não tenho muita coisa engavetada. Normalmente, preciso me posicionar  para receber a inspiração, o que geralmente acontece quando estou trabalhando na pré-produção de um álbum ou de alguma trilha. Há situações mais raras em que sou inspirado por algum acontecimento ou quando estudo  doutrinas bíblicas.

 

Como surgiu a amizade com o cantor e compositor Gladir Cabral?

Foi quando estávamos produzindo o "Caras Pintadas". O Celsino, diretor da LPC, nos mandou um k7 com músicas do Gladir, e quando ouvimos, encontramos ali a qualidade poética e musical  que sempre procuramos na música cristã. Depois de gravar várias canções do Gladir, participamos da produção do "Cantos e Sonhos" onde também cantamos com ele em duas faixas do cd: Alma e Lua e Flor da Pedra.

 

A dupla já está preparando o quarto CD?

Estamos aguardando o sinal verde do Celsino Gama para começar a produzir um cd com regravações de dez entre as melhores músicas dos dois primeiros álbuns e mais três inéditas; a idéia é fazer correções técnicas e atualizar alguns arranjos e também baixar um pouco o preço para venda, ou seja, o consumidor final poderia comprar as melhores músicas dos dois cds (Caras Pintadas e Desperta América) pelo preço de um, além de ter essas músicas regravadas com mais qualidade técnica. Daí, os dois cds originais se tornariam apenas peças históricas. Há também um projeto para um quinto álbum, só com inéditas, e para a produção de um DVD.

 

Deixe uma mensagem aos internautas do Arquivo Gospel:

Uma das questões mais importantes tratadas na Bíblia é a Graça, e penso que temos dado pouca atenção a isto; precisamos aceitar mais as diferenças, as fraquezas de cada um, a individualidade de cada irmão e, consequentemente, agir com menos hipocrisia; a autenticidade pede passagem, e não há o que possamos fazer para que Deus nos ame mais ou menos do que ama.

No mais, desejo que cada pessoa que se encontre com a nossa música se torne um amigo e não um admirador.

 

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