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O louvor e adoração do Águas

Com suas belas letras, melodias e vocais, o grupo Águas marcou a história da música evangélica brasileira com seu estilo de louvor e adoração recheado de brasilidade, poesia e conteúdo bíblico. Várias de suas canções podem certamente serem cantadas no louvor de qualquer igreja, hoje em dia.

 

Sua discografia é composta pelos seguintes LPs:

 

1. Vem cantar (1984)

2. Volta (1988)

3. Dia do Leão (1992)

4. Cidade (1993)

 

Atendendo gentilmente nosso convite, Renato Côrtes, líder do grupo concedeu esta entrevista ao Arquivo Gospel, via e-mail, em 18/05/2008.

 

 

Como, onde e quando começou o grupo Águas?

O grupo Águas começou como um quarteto vocal em 1983 na Igreja Evangélica Congregacional do Bairro Antonina, em São Gonçalo, RJ. Nos reunimos pela primeira vez para cantar em um retiro de Carnaval. Na época faziam parte do grupo eu, Gleyde (minha namorada na época e hoje minha esposa), Lunísia e Hudson. Um dia enquanto orávamos, Deus nos revelou que estaríamos gravando um disco. Não imaginávamos quando e como aquilo poderia acontecer, mas tomamos posse daquela benção e nos colocamos a disposição do Senhor para a realização da Sua vontade. Em 1984 a Comunidade S8 montou um estúdio de gravação e nos ofereceu gravar em seu estúdio sem nenhum custo. Foi o sinal de Deus para o cumprimento da promessa. Nesta época ainda não tínhamos um nome. Certo dia eu estava orando em casa e estava lendo Ezequiel 47 “A torrente das águas purificadoras” e me veio a inspiração do nome “Águas”. O sentido do  nome tem relação com o louvor, que é como uma corrente de águas purificadoras. Quanto mais você mergulha nestas águas, vai sendo curado e sarado pelo poder do Deus. Reunimos então um grupo de músicos cristãos amigos e iniciamos o trabalho de produção do primeiro disco. Após alguns meses de trabalho terminamos as gravações, mas não tínhamos dinheiro para prensar o disco. Mostramos o trabalho para algumas gravadoras da época, mas o caminho foi a produção independente. Com recursos emprestados pelo meu pai, fizemos a primeira tiragem e o disco aconteceu. Alguns meses mais tarde, por intermédio do irmão Paulo Cezar, do Grupo Logos, passamos a trabalhar com uma distribuidora que colocou o LP em todo o Brasil. Tudo estava nos planos de Deus.

 

Havia alguma ligação do grupo Águas com a Comunidade S8?

A Comunidade S8 faz parte da nossa história de vida cristã. O S8 tem um reconhecido trabalho de recuperação para dependentes químicos. Na década de 80 eu e a Gleyde frequentamos por muitos anos as reuniões do S8, apesar de não termos tido nenhum envolvimento com drogas. Era muito interessante nas reuniões observar aquele povo “muito doido” e nós dois “certinhos”, membros de uma igreja tradicional (Igreja Congregacional). Mas Deus usou os queridos irmãos do S8 para nos levar a reconhecer que não havia nada de “certinho” em nós e precisávamos de uma tremenda operação do Seu Espírito Santo em nossas vidas. Foram anos de muito aprendizado e a base da nossa experiência com  Deus vem deste tempo. Se não bastasse isso, o querido pastor Geremias Fontes (líder da Comunidade S8 na época) celebrou o nosso casamento. Mais tarde Deus usou os irmãos do estúdio S8 para alavancar o trabalho do grupo Águas. Temos muito carinho por estes irmãos amados.

 

Quem era o líder do grupo àguas?

Eu era o líder do grupo. No entanto as decisões eram sempre tomadas com todo o pessoal. Por estar mais perto, eu compartilhava primeiro com a Gleyde as novas idéias. Sempre que tínhamos um novo projeto procurávamos orar antes de levá-lo ao resto do grupo. Hoje entendo que muitos projetos que eu tenho no coração não são pessoais, mas projetos de Deus para toda a família por que envolvem diretamente a Gleyde e os meninos.

 

Qual LP teve a maior repercussão ou vendeu mais?

O primeiro disco foi muito marcante. Não éramos conhecidos e gravamos o disco de forma independente, o que era uma novidade na época. Quando o disco estava pronto, saímos de loja em loja no Rio de Janeiro oferecendo o trabalho. Deixávamos os discos em consignação. Com um mês vendemos toda a primeira tiragem e começaram a chegar pedidos de outros estados. Estimo que ao longo do tempo vendemos em torno de 30.000 cópias deste título. Este disco nos abriu as portas para viajarmos por todo o Brasil e permitiu a continuidade do trabalho do grupo.

 

“Dia do Leão” e “Cidade” foram lançados pela então novata gravadora MK Publicitá. Ela não teve interesse em continuar com o Águas no cast?

O disco Dia do Leão foi feito todo como produção independente, com as despesas de produção custeadas pelo próprio grupo. Foi um disco caro, onde investimos muito tempo e recursos no trabalho de estúdio e na época ficamos sem orçamento para prensar. Mostramos o disco para a MK que se interessou e fizemos inicialmente um contrato para prensagem e distribuição. Mais tarde, infelizmente, este contrato foi renovado por um contrato de exclusividade. O disco foi um grande sucesso. O projeto do disco Cidade já nasceu nesta nova abordagem e foi custeado pela gravadora. Trabalhar como “contratados” de uma  gravadora não deu muito certo no nosso caso e não procuramos mais a gravadora para um novo contrato. 

 

A quem pertence os direitos fonográficos sobre os discos?

Temos os direitos sobre os dois primeiros títulos, que foram independentes. A nossa antiga gravadora tem os direitos sobre os dois últimos. 

 

Existe a possibilidade desses LPs ganharem versão em CD?

Temos um projeto de lançar os dois primeiros discos em um único CD.

 

Em que ano o grupo suspendeu as atividades? Por que?

Nós paramos oficialmente em 1996. Quando eu e a Gleyde nos casamos em 1987, fomos morar em Volta Redonda, RJ. Lá eu trabalhava na CSN durante a semana e nos finais de semana estávamos sempre tocando em algum lugar com o grupo. No final dos anos 80 nós viajamos muito pelo Brasil. Isto ocorria sempre nos finais de semana, pois todos nós tínhamos nossos trabalhos seculares. Nunca vivemos dos recursos do grupo. Todo recurso que entrava nós reinvestíamos em equipamentos e guardávamos para a produção do próximo disco. Também não cobrávamos nenhum cachê das igrejas e pedíamos apenas as despesas de viagem. Quando era possível, as igrejas compravam alguma quantidade de LPs. Em 1991 nasceu o nosso primeiro filho (Lucas, hoje com 17 anos e tocando contra-baixo comigo na nossa igreja). Quando precisávamos viajar, deixávamos o Lucas com os meus sogros (em São Gonçalo, RJ) e o apanhávamos na volta. Foi assim por alguns anos. Em 1996 nasceu o nosso segundo filho (Felipe, hoje com 12 anos e tocando bateria comigo na nossa igreja). Então começou a ficar impossível conciliar as atividades do grupo com a família crescendo e ainda morando longe. Eu e a Gleyde começamos a orar por isso e pedimos alguns sinais de Deus se não seria a hora de dar um tempo. Foi então que entendemos que era a hora de parar um pouco, dar mais atenção à família e fincar raízes na nossa igreja local. Conversarmos internamente com o grupo sobre estas questões, e apesar de adorar estar juntos, tocar e louvar a Deus como grupo, entendemos que era a hora de parar. Somos muito amigos até hoje e sempre que podemos nos encontramos.

 

Em quais estados o Águas já se apresentou?

Nós nos apresentamos no nosso estado Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Minas Gerais e Goiás.

 

Qual igreja o sr. está pastoreando?

Bom, esta pergunta é interessante. Eu não sou pastor, mas a quantidade de pessoas que me chamam de pastor é impressionante. Até o pastor da minha própria igreja (Projeto Água da Vida) me chama de pastor.  Eu e a Gleyde estamos entendendo que isto não é sem motivo e cremos que Deus tem um chamado para nós. Faço parte da liderança do Projeto Água da Vida em Niterói, RJ e estou envolvido com o ministério de música da igreja. A Gleyde é líder do departamento infantil e os meninos (Lucas e Felipe) tocam comigo na igreja e em alguns eventos que somos convidados para cantar e pregar.

 

Qual sua opinião sobre os grupos de louvor congregacional de hoje em dia? Houve mais avanços ou mais retrocessos?

Um dia desses eu soube de um comentário que alguém fez dizendo que a “moda” é gravar adoração profética. Fico intrigado como a “moda” atingiu em cheio muitos irmãos músicos. É patente que existem alguns ministérios que estão ouvindo a voz de Deus e estão seguindo um caminho de adoração genuíno. Estive recentemente no congresso de louvor do Diante do Trono e pude comprovar como Deus tem usado aqueles irmãos. Voltei com meus propósitos renovados no Senhor. No entanto, vejo que alguns outros grupos e cantores simplesmente seguem modismos e são carentes de essência. Fazem repetidas cópias de estilos já registrados e aparentam não ter uma experiência própria com Deus. Vejo letras sem nenhuma poesia e inspiração e basicamente são recortes de frases prontas. Parece uma fábrica de fazer música em série. Tenho observado que o povo de Deus está ficando cansado dessa mesmice e quer coisas novas, vindas de Deus. É ai que eu corro para ouvir as canções de servos inspirados como Sérgio Pimenta, Guilherme Kerr, Nelson Bomilcar, João Alexandre, Paulo Cezar, dentre tantos outros autores de obras primas da nossa música evangélica.  Tenho dois filhos adolescentes e músicos (graças a Deus!) e converso muito com eles sobre o verdadeiro sentido de ser um levita no reino de Deus. Ser usado por Deus não significa ser famoso, reconhecido ou qualquer coisa do gênero. Significa, acima de tudo, ser um servo comprometido com uma vida de adoração e não apenas momentos de emoção. A consequência desta intimidade com Deus é ser usado por Ele. É a lei da semeadura: você planta vida com Deus e colhe inspiração.  Penso que falta esta consciência em muitas pessoas que estão envolvidas com o meio musical evangélico.

 

O grupo Águas retornará algum dia?

Num passado recente nós nos reunimos para atender alguns convites específicos.  Nada impediria um retorno mais intensivo. A única questão a equacionar é que estamos muito envolvidos com lideranças em nossas igrejas locais. Tenho orado por isso e pedido a vontade de Deus. Sinto muita falta do convívio e da benção que é tocar com o grupo.

 

Deixe uma mensagem aos internautas do Arquivo Gospel:

Fiquei muito feliz com a oportunidade de compartilhar um pouco da história do grupo Águas. Fiquei muito feliz quando encontrei comunidades na Internet que gostam das músicas que Deus deu ao grupo. Só me resta mandar um grande abraço aos leitores do arquivo Gospel. Deus abençoe a todos abundantemente.

 

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