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Autor: SALVADOR DE SOUSA
Edição:
2ª edição - 29/08/2007
: 9

O metal cristão

    O metal veio preencher um espaço importante que estava vazio no meio evangélico, tanto na questão de edificação quanto em evangelismo. Além de atender uma necessidade de muitos evangélicos que gostam de um som pesado, o metal tem chegado a lugares que outros estilos não tem conseguido chegar, como no caso do pessoal do underground. Trouxe estilos como o death, hardcore, black, grind core, gothic, thrash, etc, que são desconhecidos da maioria dos evangélicos, acostumados mais com o rock, hard rock, heavy metal e punk. O metal tem origem no rock, mas nem por isso o rock é superior ao metal. O metal é musicalmente bem mais pesado, mas isso não o torna melhor que o rock. O rock não é um estilo ultrapassado e nem o metal o substituto do rock. Os dois são estilos diferentes, têm suas qualidades e seu público. Ambos são excelentes estilos musicais que podem servir para exaltar o Rei Jesus e ensinar os valores do seu Evangelho.

   Há mais de 5 anos tenho conhecimento de bandas que atualmente compõem o metal cristão brasileiro. Atualmente é possível perceber pela Internet que há dezenas de bandas no Brasil, em atividade. Infelizmente essas bandas ainda não tiveram uma produção significativa em termos de CDs, como por exemplo teve o rock evangélico. Mas por que tem sido assim? Por que não temos dezenas e mais dezenas de CDs disponíveis? Por que não se vê com mais freqüência essas bandas na mídia evangélica? Por que o desinteresse das lojas e gravadoras evangélicas? Gostaria de dar algumas respostas através de algumas observações e comentários.

   A primeira coisa a se observar é que há ainda um preconceito em relação ao metal, ou seja, a grande maioria dos crentes ou não concorda ou não vê com bons olhos a presença do metal no meio evangélico. Essa aversão ao metal pode ter a ver com o som pesado, os usos e costumes de muitos que curtem o metal. Também estamos num período em que a música mais de caráter evangelístico tem sofrido muitas críticas e desvalorização, pois muitos estão defendendo que a chamada música de louvor e adoração, com todos os seus evangeliquês,  é a que deve ser usada também para evangelismo. Por fim acho que essa preocupação em evitar termos como metal evangélico ou metal gospel pode estar gerar dúvidas e mal entendidos em muitos evangélicos.

   A segunda coisa a se considerar é a questão da língua adotada pela maioria das bandas: a língua inglesa. Por que isso? O português não é um bom idioma para cantar o metal? O português provoca uma sonoridade ruim? Se o inglês é considerado a língua oficial do metal, quem determinou isso, e por que devemos obedecer? Há algum boicote no meio para desprestigiar quem canta em português? As justificativas existentes para tal prática ainda não são convincentes para extirpar imagens negativas tais como: idolatria à cultura norte-americana, exaltação exagerada da língua inglesa, falta de patriotismo e desprestígio da língua portuguesa, que é a língua oficial de nosso País.

   Uns 3 anos atrás foi divulgado no JORNAL NACIONAL, da TV GLOBO, o resultado de uma pesquisa onde se constatou o aumento da aversão dos brasileiros em relação aos Estados Unidos. Isso tem trazido nos últimos anos, como conseqüência principal, a diminuição do interesse e supervalorização das artes e produtos norte-americanos. Também é possível notar um crescimento fantástico no sentimento de patriotismo do brasileiro ocasionado, principalmente pelas conquistas esportivas e até econômicas. Até mesmo no meio da igreja evangélica brasileira há movimentos em favor da valorização da brasilidade, especialmente na liturgia, literatura e música. Com tanta coisa contra, é difícil fazer sucesso "na contramão do sistema". Talvez seja por isso que nenhuma banda de metal evangélica, que canta em inglês, conseguiu projeção nacional relevante em termos de vendas de CDs e realização de shows no Brasil, a exemplo do que vem ocorrendo com as bandas de rock evangélico desde o início dos anos 90. Vejo isso como um sinal do desinteresse e reprovação da maioria dos evangélicos brasileiros, e não o desconhecimento da existência desses CDs.

   Por isso tudo, se o objetivo do CD é alcançar o público brasileiro, nada mais aconselhável do que gravar todas as faixas em português. Fica mais fácil divulgá-lo na mídia evangélica. Não fica apagado diante dos CDs das bandas norte-americanas. Não cria uma geração de fãs interessados somente no som pesado, porque não conseguem entender as letras. Não cria e nem alimenta a ilusão de que o metal será globalizado e por isso é necessário uma língua oficial, que é o inglês. Não cria a imagem negativa de que a língua portuguesa não é adequada para cantar determinados estilos, como o metal. Por último é bom lembrar que uma das características principais da música evangélica deve ser a clareza de suas letras. Afinal a grande maioria do povo brasileiro e, mais especificamente do povo evangélico, não fala inglês. Se são as letras que diferenciam o metal cristão do metal secular, como as pessoas vão diferenciar sem entendê-las? Se as pessoas não entenderem as letras, será difícil diferenciar esses trabalhos das bandas seculares. Se já é difícil entender as letras em português, de estilos como o death, já imaginou ouvi-las em inglês...

   Em terceiro lugar gostaria de tratar da imagem das bandas. É preciso diminuir o visual agressivo presente na maioria dos CDs nacionais. Algumas fotos e desenhos dos encartes assustam. Muitos artistas ainda preferem fotos com "cara de malvado". Parece até que estão querendo espantar as pessoas. Isso só contribui para manter a imagem de que os metaleiros são pessoas violentas e mau humoradas. Não quero dizer com isso que a aparência dos membros da banda deve ser do tipo "mauricinho e patricinha", e que o visual seja colorido como fantasia de carnaval. Mas é preciso haver mais coisas em um CD de metal cristão que diferenciem do metal secular. Em suma, o que estou propondo é que haja um equilíbrio entre o visual agressivo e o visual comum. Essa providência visa conquistar evangélicos que no geral devem ser o braço direito dos metaleiros evangélicos, no apoio, compra e divulgação dos CDs. A maioria dos evangélicos não está preparada para o visual agressivo dos CDs de metal. Eu diria que milhões de pessoas do mundo não estão preparadas, também. Por isso é aconselhável ir devagar.

   O quarto e último aspecto que destaco é a questão da produção de single ou demo, que geralmente contém umas 5 músicas e tem sido prática freqüente por bandas de metal. Esses CDs deveriam ser somente para gravadoras analisarem ou mostrados para pessoas que tenham condições de patrocinar a produção do CD. Vendê-los para o público não vale a pena. As pessoas querem um CD pronto e não o protótipo do CD. Como às vezes o single pode estar mal gravado, as pessoas podem evitar comprar o CD, quando pronto, por acharem que ele esteja parecido com o single. Também pouca gente tem dinheiro, à vontade, para comprar o single e depois o CD. É melhor esperar um pouco mais e produzir um excelente CD.

   Espero que os irmãos e irmãs reflitam sobre as considerações feitas aqui e continuem batalhando e contribuindo para o progresso do metal evangélico. Inúmeros cantores e bandas de metal têm batalhado para conquistar um espaço mais incisivo na música evangélica. Cabe a comunidade evangélica brasileira dar mais apoio a essa iniciativa que ainda tem forte teor evangelístico.

 

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