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Autor: SALVADOR DE SOUSA
Edição:
4ª edição – 21/07/2010
: 14

O cristão e a música fora da igreja

    Há no meio evangélico duas posturas extremas diante da música: existem irmãos que só ouvem música evangélica, como existem aqueles que só ouvem música secular. Embora haja argumentos prós e contra dos dois lados, reconheço que a Bíblia nos dá uma certa liberdade nessa questão. Creio, todavia, que nessa questão o melhor é adotar uma postura moderada, equilibrada, ou seja, nenhum extremo nem outro.

1. Sobre a postura de se ouvir somente música evangélica

   Bom, seria importante fazermos algumas reflexões: Como é que isso é possível se onde quer que trabalhemos, moramos, passeamos, divertimos ou fazemos compras tem sempre música secular?! Como é que vamos saber se realmente nossos cantores e bandas produzem CDs de melhor qualidade do que os do meio secular?! Como vamos ter um senso crítico e coerente em relação à música secular, sem ouvi-la?! Como é que a gente vai trazer certos estilos para a música evangélica, com qualidade e profissionalismo, sem ouvir alguns dos seus expoentes no meio secular? A única coisa que a pessoa poderia ter um certo controle, seria comprar somente CDs evangélicos, ouvir somente rádios evangélicas e assistir somente programas musicais evangélicos. Agora deixar de ouvir música secular é difícil porque a gente sempre terá gente ao nosso redor curtindo-a.

   Poderia ser uma atitude louvável quando a pessoa deseja com essa postura crescer espiritualmente ou louvar mais a Deus, todavia não é necessário adotar uma postura extremista para buscar isso. Quem só ouve e compra CDs evangélicos pode estar tomando uma posição radical, preconceituosa e isolacionista, o que prejudica seu testemunho e evangelismo. Outro fator interessante é que muitas pessoas quando tomam essa atitude de só se interessar por música evangélica, muitas vezes ouve poucos cantores/as e bandas, como também poucos estilos e ritmos. Quanto aos demais artistas e estilos da música evangélica, tais pessoas muitas vezes tem uma postura desinteressada e até preconceituosa.

   Com esses argumentos quero dizer o seguinte: os irmãos e irmãs que adotam essa postura extrema, devem estar conscientes de que não são melhores do que os outros, ou seja, que têm bom gosto e os demais não, que são mais espirituais e os outros não. Outra coisa é o seguinte: não há nenhuma base bíblica para tomar essa postura. É uma decisão, uma opinião da própria pessoa. Se alguém cria doutrinas em cima dessa postura só está distorcendo a Bíblia.

   Não quero com essas palavras incentivar os irmãos a saírem por aí a cata de CDs seculares, bem como assistir todos os programas de auditório da TV e ouvir rádios seculares. Quero, no entanto, incentivar os irmãos a evitarem o julgamento e condenação do outro irmão, por causa da adoção ou não dessa postura.

   2. Sobre a postura de se ouvir somente música secular

   Há irmãos e irmãs que não adotam nenhum critério em relação à música secular. Para eles não importa se o artista ou banda fala mal publicamente dos evangélicos, bem como da própria música evangélica. Não lhe importa se o artista ou banda se considera satânica e anti-cristã. Não lhe importa se os artistas têm uma conduta assumida e pública contrária às leis e mandamentos da Bíblia. Não lhe importa se o artista tem uma religião contrária ao Evangelho de Jesus. Não lhe importa se o artista ou banda financia, através de shows e venda de CDs ou DVDs, projetos e religiões anti-cristãs. Não lhe importa se as letras das músicas defendem ideais e valores mundanos ou se têm palavrões. Não lhe importa se as letras pregam algum tipo de doutrina de outras religiões. Não lhe importa se as músicas exaltam a imoralidade. Em suma, o que importa para esses irmãos e irmãs é somente o som, a música como expressão de arte, nada mais. 

  Quem adota essa postura está sujeito a cometer pelo menos duas incoerências. A primeira é criticar e condenar, mesmo sem conhecer direito, os cantores e bandas evangélicas, bem como a história da música evangélica brasileira. Muitos desses críticos parecem até desejar o fracasso de nossos cantores e grupos. Há muita gente em nosso meio criticando a música evangélica sem conhecê-la e ouví-la. Vejo isso como uma incoerência, desejar o progresso do Evangelho e combater direta ou indiretamente a música evangélica.

   Vale ressaltar que ao longo das gravações em discos, especialmente a partir de 1970, inúmeros cantores, maestros e músicos profissionais, formados em escolas e faculdades de música, tem estado a serviço da música evangélica brasileira produzindo discos de qualidade igual e até superior a equivalentes no meio secular. O que tem faltado a muitos crentes é boa vontade para ir atrás desses discos, muitos dos quais disponíveis na internet.

   A segunda incoerência é ser implacável com um artista ou banda evangélica que “pisa na bola”, mas ser bem tolerante com as do mundo, quando envolvidos em escândalos morais, éticos e sexuais. Em outras palavras, essas pessoas concordam com o dualismo de que a obra do artista não tem nada a ver com sua vida, mas exigem perfeição absoluta ao artista evangélico.

  3. Por uma postura moderada

   As posturas acima não são recomendáveis, porém o cristão deve ter uma atitude de moderação. O apóstolo Paulo nos aconselha dizendo “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens” (Fp 4:5a). Segundo o dicionário AURÉLIO, moderação é a “qualidade que consiste em evitar excessos, prudência, comedimento”. Já a Chave Lingüística do Novo Testamento Grego diz, com outras palavras, que ser moderado é “ser razoável nas opiniões e julgamentos”.

   Com relação à música evangélica devemos prestigiar nossos cantores e bandas, comprando seus CDs, indo aos shows e divulgando-os entre as pessoas ao nosso alcance. Acho até que a maioria dos CDs na casa do cristão deveria ser de música evangélica. Deveríamos, também, visitar com mais frequência as lojas evangélicas e os sites de cantores e bandas evangélicas para conhecer um pouco mais do que os crentes têm produzido em termos de música. Seria bom, também, contribuir com nossas críticas construtivas e sugestões, visando aperfeiçoar cada vez mais nossa música para deixá-la, em termos de qualidade e profissionalismo, igual ou superior, aos CDs de ponta do meio secular.

   Quanto à música secular, é preciso preservar a liberdade cristã de cada irmão e irmã que deseja ou gosta de ouvir certos artistas e bandas desse meio. Quem quer ouvir e comprar CDs seculares que faça isso, porém não tente impor isso aos outros irmãos ou ficar defendendo os artistas e bandas seculares, tentando convencer que eles são melhores do que os artistas e bandas evangélicas. Até porque o conceito de melhor depende do gosto de cada um. E no tocante ao seu propósito espiritual, a música evangélica está bem acima da música secular.

   Não se envergonhe  ou se sinta culpado por gostar de música secular. Você não está cometendo um pecado só por causa disso. Entretanto temos que admitir que muitas canções seculares têm o poder de nos fazer gostar do pecado, assim como a música evangélica tem o poder de nos levar a amar mais a Deus e a Igreja, bem como nos dar força para combater o pecado. Por isso devemos adotar critérios que nos ajudem a selecionar as canções seculares que vamos ouvir nas rádios, nos programas de TV, nos aparelhos que tocam música. É preciso selecionar, também, os CDs de artistas seculares que se pretende comprar, bem como os shows deles que iremos.

   O cristão tem que ser seletivo e não “abertivo”, ou seja, ele não deve ser aberto a tudo que os outros lhe oferecem, especialmente vindo do mundo, por mais qualidade artística que tenham sua música. Por último, estou convicto de que aquele/a que se diz discípulo/a de Cristo não pode endeusar e financiar artistas e bandas que falam mal de nós e de Cristo e continuam vivendo no pecado, sem o mínimo arrependimento e sem dar o mínimo de crédito ao nosso Senhor Jesus pelo talento recebido.

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