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Autor: SALVADOR DE SOUSA
Edição:
3ª edição – 05/11/08
: 16

Avaliação na música evangélica

    É muito comum se ver dentro da música evangélica concursos e festivais para a escolher e premiar os melhores álbuns, cantores/as, bandas, músicas, intérpretes, compositores etc, como há também gravadoras que dizem produzir o melhor da música gospel ou evangélica. Há ainda rádios que dizem que só tocam o melhor da música gospel/evangélica, revistas e sites que dizem divulgar o melhor da música gospel/evangélica. Mas eu pergunto: estariam corretas, coerentes, honestas e verdadeiras todas essas afirmações ou atitudes? No meio secular é muito comum isso, mas deveria ser comum no meio evangélico? É possível avaliar o talento gospel/evangélico? E se é possível, como deveria ser feito?

   Em primeiro lugar eu gostaria de dizer que sou daqueles que acredita que é possível avaliar o talento e o trabalho gospel/evangélico, desde que feito dentro de critérios específicos, claros e públicos. Também acredito que nenhuma avaliação é perfeita, pois mesmo os evangélicos são pessoas imperfeitas em seus julgamentos. O que podemos fazer é nos preparar e esforçar para sermos os mais justos e coerentes possíveis. Isso depende de oração, sabedoria, conhecimento musical e conhecimento geral da música evangélica. Por último, acredito que o mais difícil na avaliação de um trabalho musical é deixar de lado o gosto pessoal, para poder ver qualidades naqueles trabalhos que a gente não gosta.

   Muitos que usam expressões tais como, O/A MELHOR ou A/O MAIOR estão expressando sua opinião pessoal ou estão fazendo muitas vezes uma jogada de marketing. Essa expressão é perigosa, pois se eu afirmo, por exemplo, que o melhor da música gospel/evangélica é tocada em determinada rádio, isso implica dizer que as outras rádios cristãs não tocam boa música. Também se eu faço essa afirmação, eu devo conhecer todos os demais artistas e rádios para que minha afirmação seja coerente, e mesmo fazendo isso não deixará de ser minha própria opinião. Por isso, o mais ideal e coerente seria a gente usar a expressão O/A MELHOR... PARA MIM É...ou O/A MAIOR... PARA MIM É... 

   Quais seriam os critérios para se avaliar concursos e festivais de música gospel/evangélica, tais como concursos para escolha de novos talentos e aqueles para premiar os melhores do ano? Bom, gostaria de dar as seguintes sugestões que encaixam melhor em festivais tipo o TROFÉU TALENTO, entretanto esses critérios podem ser aproveitados em qualquer outro concurso ou festival. Cabe a pessoa fazer as adaptações necessárias.

   1. Ter uma diversidade de categorias, mas sem exageros.

   Se houver possibilidade toda premiação a nível nacional deve ter a maior quantidade possível de categorias. Entretanto o limite máximo deve ficar entre 12 e 20 categorias. Mais do que isso, a premiação fica sujeita ao esquecimento e ao cansaço. Em festivais de música gospel/evangélica não pode faltar as seguintes categorias:

   Melhor CD de Louvor e Adoração
   Melhor CD de Rock
   Melhor CD de Rap
   Melhor CD Pop
   Melhor CD de Música Regional
   Melhor CD de MPB
   Melhor CD Sertanejo
   Melhor CD de Samba e Pagode
   Melhor música

   2. Especificar detalhadamente os aspectos a serem avaliados em cada categoria.

   É preciso saber o que está sendo avaliado em cada categoria: se é vocal, se é afinação, se é a parte instrumental, se é o ritmo, se é correção gramatical, etc. É preciso em cada categoria definir o que estará sendo avaliado, bem como divulgá-lo ao público em geral. Por exemplo: poderia se dividir a avaliação em quatro níveis: vocal, letra, instrumental e ritmo. No âmbito do vocal poderiam ser avaliadas afinação, variedade de sons vocálicos e consonância com os ritmos adotados. Nas letras poderiam ser avaliadas a base bíblico-teológica, correção gramatical, harmonia entre frases e estrofes, variedade de temas, riqueza vocabular, poesia e brasilidade. Na parte instrumental poderiam ser avaliadas a riqueza instrumental, uso de instrumentos adequados ao estilo adotado, variedade de sons com o mesmo instrumento. Quanto à questão de ritmo ou estilo poderia se avaliar se o trabalho respeita as características básicas dos estilos adotados, se o conjunto de letras, vocais e instrumental tem a ver com o estilo.

   3. O público não pode ser o principal jurado

   Nem no meio secular, que tem mais experiência com avaliação de talentos, não é feito assim. Há diversos festivais que contam com a participação do público na indicação, mas são pessoas qualificadas que escolhem os vencedores. Além da complexidade do julgamento com inúmeros jurados desconhecidos e sem a devida qualificação, o público tende a escolher o que ele gosta, o que nem sempre significa que é o melhor trabalho. 

   No caso da música evangélica, o público pode ser coagido a votar sempre no artista de sua congregação ou que está sempre na mídia. Vamos dar um exemplo: imagine que um artista ou grupo pertence a uma denominação que tem milhões de fiéis. O simples fato de mencionar nos púpitos, boletins ou jornais da igreja e solicitar orações para que seja abençoado no concurso, pode encorajar os irmãos e irmãs a votarem nele. E se for pela Internet aí que a coisa fica boa para o artista. Já imaginou se 10.000 membros votam pelo menos umas 5 vezes? Já são 50.000 votos. Outro aspecto interessante é que se for usado apenas um meio para a votação, como por exemplo a Internet, não seria algo coerente. Muitas pessoas não têm acesso a computador e os que têm podem votar mais de uma vez, o que ao meu ver não é justo.

   O TROFÉU IMPRENSA do SBT, realizado anualmente, é feito de uma forma interessante. Eles fazem pesquisa de campo, ou seja os pesquisadores vão até às ruas colher direto das pessoas, tipo o IBGE faz, procurando variar ao máximo o tipo de público. Conforme diz o site do SBT “Quem escolhe e aponta os concorrentes, é o público em geral. A pesquisa é feita em vários locais das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, junto à população das classes A, B, C, D e também com a imprensa e universitários. No total são 2.100 questionários, a metade é aplicada em São Paulo e os outros 1.050 no Rio de Janeiro. Com a votação realizada pelo público, são apurados os resultados da seguinte forma: dos dez mais votados em cada categoria, se destacam os três primeiros colocados de cada uma delas para concorrerem ao TROFÉU IMPRENSA. Os nomes são apresentados em ordem alfabética e a decisão é uma tarefa dos jurados, que vão eleger o vencedor”. O conjunto de jurados do TROFÉU IMPRENSA, é formado por 10 pessoas que representam os principais veículos de comunicação do país, especialmente de jornais e revistas.

   O TROFÉU IMPRENSA não é um prêmio perfeito, mas bem elaborado, confiável, e convincente. Pouquíssimas vezes um mesmo artista ou programa ganhou em 2 categorias diferentes. O TROFÉU TALENTO de 2004 teve na disputa 70 gravadoras e 150 artistas independentes. É muito estranho que, com tanta concorrência, o ministério DIANTE DO TRONO tenha ganhado em todas as categorias que concorreu, abocanhando 7 prêmios. Se tivesse concorrido em outras categorias é bem provável que ganharia, também. A impressão que me causou é que somente os fãs do DIANTE DO TRONO é que acessaram o site para votar. No GRAMMY LATINO, GRAMMY AWARDS raramente alguém ganha 2 prêmios em categorias diferentes no mesmo ano. No próprio DOVE AWARDS, que é o prêmio dedicado aos melhores da música cristã nos Estados Unidos não acontece isso.

   4. Ter uma diversidade de concorrentes.

   Com tanta gente produzindo CDs diariamente no Brasil, não podemos fazer um concurso para escolher os melhores entre 2 ou 3 candidatos. É preciso pelos menos 10 concorrentes para selecionar os mais votados que irão à disputa final.

   5. Formar um corpo de jurados qualificado, porém neutro e diversificado.

   Durante a parte de indicação todo mundo pode sugerir trabalhos, todavia a escolha do melhor deve ser feita por jurados que consomem, que entendem, que estão por dentro, que vivem da música evangélica. Esse corpo de jurados, composto por 10 a 20 pessoas, pode incluir músicos, críticos especializados, produtores musicais, compositores, jornalistas e colunistas que atuam no meio da música evangélica. Obviamente esses jurados têm que conhecer os concorrentes para poder julgar coerentemente.

   6. Evitar fazer julgamentos no ato da realização do evento

   É muito constrangedor e desanimador o/a artista ou banda receber uma crítica ao seu trabalho assim “na bucha”, “na lata”, "na cara". Obviamente essa atitude pode irritar o público presente que está torcendo ou simpatiza com determinados trabalhos. Por isso, da forma que o OSCAR americano faz é interessante e recomendável. Em cada categoria dele, os indicados são mencionados e logo depois é revelado o vencedor. Quer dizer, o julgamento é feito pelos jurados semanas ou meses antes, nos bastidores o resultado só é revelado na festa de entrega dos prêmios.

   7. Desvincular categorias, ou seja, não colocar duas categorias juntos.

   É um contrasenso criar, por exemplo, uma categoria chamada: Melhor CD de Rock/Pop ou Rock/Alternativo. São duas coisas completamente diferentes, com públicos diferentes e com uma produção grande nos dois estilos. É melhor criar uma categoria para cada estilo. Vale ressaltar que Alternativo não é ritmo musical ritmo é rock, reggae, rap, etc.

   8. Evitar coisas difíceis de avaliar.

   Por exemplo, avaliar o artista ou banda de melhor performance ao vivo. Uma boa apresentação ao vivo depende de muitos fatores que envolvem o local, o público e o próprio artista ou banda. Tem determinadas apresentações que o artista parece que está inspiradíssimo em outras ocasiões, não. Às vezes o local é ruim para shows ao vivo, às vezes o artista está cansado, tenso, ansioso, com preocupações e problemas pessoais, etc. Seria necessário o avaliador assistir pelo menos uns 3 shows, em condições favoráveis, a uma boa apresentação, para conseguir fazer uma boa avaliação. Outras categorias difíceis de se avaliar são: Melhor Compositor/a, Melhor Cantor/a do Ano, Artista Destaque, Melhor CD ao vivo, etc. Em todos esses casos, há a necessidade de adotar critérios específicos, claros e públicos para que a escolha do/a melhor seja compreendida. E isso é uma tarefa difícil.

   9. Evitar categorias que exigem um nível de conhecimento mais elevado

   O público em geral não entende muito de música, talvez até nem queira. O que ele quer mesmo é curtir a música. Por isso, categorias tais como Melhor Arranjo, Melhor Versão, Melhor Vídeo-clipe, Melhor DVD, Melhor Intérprete (Masculino e Feminino), Melhor CD Instrumental, etc, devem ser evitadas ou passada a responsabilidade para profissionais qualificados, que deverão ter a paciência para ouvir e/ou assistir todos os trabalhos concorrentes.

   10. Evitar dar prêmios desnecessários

   Encaixo nesse item aqueles prêmios que geralmente são escolhidos dentre outros já premiados em outras categorias tais como: CD do Ano, Melhor Dupla, Melhor Dueto, Melhor CD Independente, Cantor/a do Ano, etc. Também considero desnecessário premiar trabalhos estrangeiros, que no Brasil, a tendência é sempre premiar os artistas e grupos norte-americanas, e apenas em uma categoria: Louvor e Adoração. Nada contra eles, mas nem eles mesmos têm categorias para premiar trabalhos de outros  países, como se pode notar no DOVE AWARDS. Para premiar trabalhos norte-americanos, no mínimo os jurados deveriam entender a língua inglesa. Depois deveriam conhecer dezenas de trabalhos nos mais diversos estilos.

   11. Avaliar o trabalho, o CD, e não o artista ou banda.

   É impossível avaliar a espiritualidade, a sinceridade de uma pessoa, principalmente por um corpo de jurados que no máximo só conhecerá o trabalho do artista. Se fôssemos procurar pecados na vida de cada artista, com certeza acharíamos, mesmo que ele seja pastor ou líder de ministério, etc. Muitos artistas dão bom testemunho publicamente, mas não sabemos se ele o dá fora dos holofortes da mídia, como por exemplo dentro de casa. A única coisa possível de se avaliar é o trabalho do artista, ou seja, o CD. Até que se prove o contrário, a gente deve acreditar que o artista está seguindo a Jesus Cristo.

   Outra coisa importante é que o prêmio não deve ser concentrar em escolher a melhor banda, o/a melhor cantor/a, o/a melhor intérprete, etc, pois quando alguém pronuncia essas expressões parece que está sendo levado em conta a vida pessoal e espiritual dos premiados. em suma, o que se pode avaliar é somente o CD e não a vida do artista ou banda.

   12. Premiar destaques e celebridades da música gospel

   Existem pessoas no meio evangélico que dá um grande testemunho de vida, de participação político-social, a tal ponto de ter o reconhecimento da mídia secular. Por isso devem ser honrados por esse bom testemunho. Há casos, também,  de cantores e bandas que têm uma carreira musical consagrada e respeitada no meio evangélico, com vários LPs e CDs gravados ao longo de anos, que merecem ser honrados publicamente. 

   Sei que critiquei nesse texto, direta ou indiretamente, o TROFÉU TALENTO, mas o meu objetivo com isso é sugerir alterações para que ele fique mais coerente e justo, para servir de modelo aos demais concursos e festivais. Já vi muita gente afirmar que prevalecem nessa premiação respeitada, o ‘jabá’ e a ‘marmelada’. Infelizmente em algumas categorias, parece mesmo que é assim. Eu disse parece, não estou afirmando. Por isso, esse prêmio precisa ser revisto, especialmente em relação às categorias, a forma de indicação, e quem faz a escolha do melhor.


SITES CONSULTADOS

www.trofeutalento.com.br
www.sbt.com.br/trofeuimprensa
www.doveawards.com

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Diretor - Salvador de Sousa