No meio secular é muito comum, em entrevistas com cantores/as e bandas, a preocupação excessiva com a vida pessoal deles. Obviamente as perguntas ficam concentradas em manias, supertições, intimidade sexual, gostos, roupa, vida emocional, fofocas, etc. Uma vez que essa mídia está interessada em audiência e em vender alguma coisa, saber da vida dos outros é um dos ingredientes principais que prende a atenção de milhões de telespectadores e leitores, especialmente se há polêmica nas palavras e atitudes do entrevistado.
Por ser um campo minado, o artista evangélico deve ter cuidado com as entrevistas que concede à mídia secular. Há casos em nosso meio de pessoas que foram prejudicadas por entrevistas e reportagens dadas lá. Por isso é até recomendável não dar nenhuma entrevista a certos programas, revistas e sites que possam comprometer a carreira do/a cantor/a ou banda. É preciso orar e buscar orientação divina, como também se aconselhar com servos de Deus, para saber se é bom dar a entrevista ou não. E se der, é preciso fiscalizar para não deixar o entrevistador veicular a entrevista com interpretações comprometedoras. Se possível seria bom conseguir uma cópia da entrevista antes de ser veiculada na mídia, para averiguação. Outra boa alternativa é o/a artista levar um gravador ou filmadora para registrar a entrevista. É bom como lembrança, mas também como prova do que o artista disse. No caso daquelas entrevistas por e-mail, você já tem automaticamente a prova escrita. Em suma, o/a artista ou banda deve tomar todas as precauções para que a entrevista chegue ao público do jeito que foi feita inicialmente, ou seja do modo mais fidedigno possível.
Com relação à mídia evangélica, no geral esse tipo de entrevista que a mídia secular gosta, tem sofrido reprovação pelo fato de a comunidade cristã entender que o Senhor está acima do servo, e por isso, quem tem que estar em evidência é Jesus e não o/a artista. Todavia há ainda entrevistas em nosso meio que fogem do padrão ideal, como por exemplo aquelas do tipo ping pong, onde se procurar saber qual cidade, restaurante, comida, esporte, filme, roupa, hobby, perfume, personalidade humana, que o artista tem preferência ou admira. Parece questionário para arranjar namorado/a ou cônjuge. Em que isso edifica? O que isso contribui para o conhecimento da carreira do artista ou banda? O que isso tem a ver com o CD? É refletindo nessas indagações que percebemos melhor a necessidade de melhorar nossas entrevistas. É preciso melhorar as perguntas, como também caprichar nas respostas. Há perguntas que não deveriam ser feitas na entrevista, como também há respostas dadas que são vagas, ambíguas e incompletas. Um exemplo disso é quando um cantor ou músico sai de uma banda. A gente dificilmente fica sabendo o que aconteceu realmente. Por que não se diz completamente a verdade? Se foi, por exemplo, por causa de divergências pessoais, discussões, brigas, dinheiro, etc. Qual o problema de assumir as falhas e pecados publicamente? A confissão está fora de moda? O silêncio ou resposta mal-dados geram mais curiosidade e especulação. A verdade é o melhor caminho, para não dizer que é o único e obrigatório para o/a cristão/ã. Não estou dizendo, com isso, que não deva haver comedimento nas palavras, mas a verdade deve ser dita de forma clara e respeitosa, para não comprometer a imagem de quem sai e de quem fica na banda. Infelizmente, por causa da nossa natureza humana, coisas desse tipo acontecem. Veja o exemplo de Paulo e Barnabé, que tiveram uma séria desavença por causa de João Marcos, ou seja, por divergência de opiniões. Os dois acabaram com uma amizade e um ministério frutífero, vindo a se separarem por ocasião da 2ª viagem missionária (Atos 13:13 15:36-41). A verdade, "nua e crua", foi deixada escrita e esses três homens de Deus continuaram, em rumos diferentes, servindo ao nosso Senhor Jesus Cristo. Meses ou anos mais tarde esse impasse ficou resolvido entre os três.
Mas o que seria, então, adequado, coerente e aconselhável perguntar ao/à artista evangélico? Que tipo de pergunta deveria ser feito a ele/ela em alguma entrevista, especialmente no meio da mídia evangélica? Em primeiro lugar isso vai depender muito de quem é o artista ou banda, do tempo de sua carreira e do estilo que ele/a toca e/ou canta.
Algumas das perguntas interessantes e construtivas poderiam ser estas:
01. Quando e como se deu a sua conversão?
02. Sua família é toda convertida? Se não é, existe algum tipo de perseguição?
03. Qual igreja você congrega?
04. A banda recebe algum apoio financeiro?
05. Vocês são casados? Há dificuldades para exercer o ministério musical?
06. Você é favor do artista evangélico dar autógrafos? Por que?
07. Você é favor do artista evangélico ter fã-clubes? Por que?
08. Houve mudanças de integrantes ao longo da existência da banda?
09. Você já sofreu algum tipo de preconceito por tocar nesse estilo?
10. O que uma igreja deve arcar financeiramente quando vocês vão lá?
11. Por que o CD de vocês ficou mais lento/pesado?
12. Por que vocês não adotam um estilo só ao invés de cantar vários estilos?
13. Vocês trabalham em outra coisa ou sobrevivem somente da música?
14. Quais cantores/as e bandas evangélicas você costuma ouvir mais?
15. Você canta/toca no louvor da igreja?
16. Vocês estudam? Quais cursos fazem?
17. É possível ser um ótimo pastor e cantor ao mesmo tempo?
18. Vocês gostam de festivais para a escolha dos melhores da música evangélica?
19. Alguém aqui já fez ou faz algum curso de música?
20. Por que vocês mudaram de estilo?
21. Por que vocês sendo brasileiros só cantam em inglês?
Existem outras perguntas que podem ser feitas, mas devem sempre atentar para que elas tenham a ver com o/a artista ou banda, com sua carreira, com seu CD e principalmente com sua fé em Jesus Cristo. Em suma a entrevista para ser boa precisa ser informativa, esclarecedora e edificativa.