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Autor: SALVADOR DE SOUSA
Edição:
1ª edição: novembro/2003
: 4

Cover gospel

    Gostaria de responder a seguinte dúvida que muitas pessoas têm: pode haver um artista ou banda gospel que seja cover? Antes de mais nada, é preciso saber o que significa essa palavra. Cover é um termo inglês que tem diversos significados, todavia o conceito mais popular no Brasil é ter a aparência e/ou o talento de alguém já consagrado e conhecido na mídia, secular ou evangélica, ou seja, cover é aquele que imita ou se parece com alguém renomado, seja falando e/ou cantando e/ou tocando e/ou dançando. Obviamente o termo cover não está restrito somente às pessoas famosas que aparecem na mídia, mas há muitas pessoas comuns que conseguem parecer com outros, seja na aparência física ou no talento.

   Ser cover não significa ser igual, significa ser parecido, semelhante, ter aparência ou um talento que lembre alguém. Por mais que alguém tente, nunca imitará outra pessoa e o seu talento perfeitamente, com 100% de performance, pois cada pessoa é única. Isso quer dizer que mesmo que o cover seja excelente, não deixa de ser algo novo, uma versão, uma cópia, um clone. Mesmo assim, o cover tem o seu valor e espaço. Veja por ilustração o exemplo de uma cópia de um documento: em muitos lugares e situações, somente a cópia é aceita, somente ela entra lá, somente ela dá acesso à obtenção de um direito ou benefício. Por essa razão a cópia acaba tendo mais espaço, mais importância e mais utilidade do que o original.

   Muitos têm a consciência de que são covers e têm orgulho de serem assim. Outros não assumem, por não se considerarem. Nós por si só não conseguimos perceber facilmente que somos cover de alguém. São os outros é que vão perceber, comparar e afirmar. Nós não ouvimos nossa própria voz como os outros a ouvem. Já a aparência é mais fácil de se comparar através de fotos ou filmagens. Há ainda aqueles que se ofendem ao serem chamados de cover, por sentirem algo pejorativo no uso dessa palavra. No passado havia esse lado negativo, mas hoje as pessoas amam os covers gostam de vê-los e ouvi-los. Eles alegram o ambiente, trazem-nos boas recordações e estão, às vezes, tão próximo da gente, do que o original. É possível encontrá-los em nossa casa, na vizinhança, na escola, no trabalho, na praça, na lanchonete, no restaurante, etc.

   Ter a aparência e/ou voz e/ou jeito de alguém conhecido é muito comum em nossa sociedade. Com muita freqüência pode-se ver pessoas desconhecidas parecidas com gente famosa ou não. Há constantes concursos na televisão para escolher covers de artistas famosos. Os programas conseguem enorme audiência com isso, o que fica evidenciado o amor e o interesse pelos covers. Com quase 150 milhões de pessoas, o Brasil pode ter milhares e milhares de casos. Tem gente parecida com apresentador de televisão, cantor/a, político, humorista, etc. E é bem provável que você já viu ou verá pessoas parecidas com parentes, amigos, colegas e até com você mesmo eu por exemplo já vi três pessoas parecidas comigo, que eu posso brincar dizendo que eram meus covers.

   É bem verdade que a palavra cover é mais comum de se ver no âmbito da música, todavia pode ser utilizado de outras formas. Por exemplo: há políticos que imitam outros políticos, há escritores que imitam outros escritores, há humoristas que imitam outros humoristas, professores que imitam outros professores, como também há pastores e pregadores que imitam outros pastores e pregadores. Todos esses podem ser chamados de covers se imitarem, ou forem semelhante a alguém mais conhecido ou famoso.

   No meio gospel existem dezenas de artistas e bandas que se parecem com outros. Isso acontece com relação à aparência física, às letras timbre de voz, ao jeito de cantar ou tocar e ao estilo. Com tantos cantores e bandas por aí, isso não tem como ser evitado e nem precisa, pois não há dentro da Bíblia nenhuma proibição e nem mesmo alguma orientação sobre isso. O que o cover não pode fazer é imitar o estilo de vida pecaminoso do imitado, ou seja, o cover imita a aparência e o talento de alguém, mas nunca os mesmos pecados que o artista ou banda cometia ou cometem. A título de exemplos, temos vários casos de artista e bandas que podemos considerar covers de gente do meio secular: Banda CATEDRAL (com vocal e estilo do LEGIÃO URBANA), J NETO (com vocal e estilo do ROBERTO CARLOS), BRUNA MELO (com aparência, vocal e estilo da SANDY), ENOCK LOU (com vocal, estilo e aparência do RAUL SEIXAS), NATAN BRITO (com vocal e aparência do TIM MAIA), MARTIN LUTERO (com vocal do ELVIS PRESLEY), etc. Há ainda inúmeros casos de covers de gente do meio gospel, ou seja pessoas evangélicas que imitam cantores/as e bandas gospel, mas isso não é algo mal visto em nosso meio. A gente até acha isso algo legal, gostoso de se ver e ouvir.

   Em suma, ser cover de um cantor/a ou banda, mesmo do meio secular, não é uma anormalidade, uma aberração da natureza, um pecado nascido com a pessoa, mas um talento dado por Deus, portanto deve ser usado para a glória Dele. O que é errado, ilegal e pecado é o plágio, pois envolve roubo, engano e mentira. Ressalto aqui que muitos artistas começam sua carreira musical assim mesmo, sendo cover de alguém, pois a princípio não conseguem ter um estilo próprio, distinto. É com o tempo que eles vão amadurecendo, aperfeiçoando e se distinguindo. Em muitos casos o cover se tornará bem mais interessante e melhor do que o original, mesmo não obtendo reconhecimento superior ao imitado.

   Talvez alguns irmãos/ãs não gostem ou não se sentem bem ouvindo um cover gospel, agora condenar ou atribuir a satanás esse dom é pecado. Aqueles que têm esse dom devem estar conscientes de que se trata de um dom polêmico, sujeito a críticas constantes, por pessoas que não entendem ou não aceitam a existência de um cover em nosso meio. Isso é o preço que se paga por parecer consciente ou inconscientemente com alguém talentoso e famoso. Mas isso não deve ser levado em conta, pois o artista que não for criticado por isso, será por outros aspectos. Cabe ao/à cover gospel mostrar a todos sua competência e valor. Senão superior, pelo menos igual.

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