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Autor: SALVADOR DE SOUSA
Edição:
1ª edição - dezembro/2003
: 5

Brega e chique na música evangélica

    Na música secular poucos reclamam se for dito que um determinado cantor/a, grupo ou determinado estilo de música é chique, todavia qualificá-los como brega, gera com muita freqüência brigas e inimizade. É considerada uma atitude agressiva e ofensiva ao talento, gosto e preferência pessoal do outro. Quem assim procede é visto como alguém orgulhoso, que se acha melhor do que outros, que só o que ele gosta é o melhor. Por trás desses termos há muito mais coisas. Afirmar-se chique é auto-considerar-se ou ser considerado de bom gosto, de boa qualidade, de boa fama, de gente inteligente, refinada, rica, estudada, culta, da "nata" da sociedade. Enquanto afirmar-se que é brega é dizer que é de mau gosto, que é coisa de pobre, negro, favelado, analfabeto, de gente baixa, de gente da ralé. Em suma música chique é boa e música brega é ruim. O que está por trás disso é o pensamento orgulhoso que acha chique somente a música que ele/a gosta e brega a que não gosta. Isso ocorre sempre com o pretexto de que entende mais de música do que outro, de que tem bom gosto e o outro não.

   No âmbito da música brasileira, convencionou-se e popularizou-se negativamente, a partir da década de 70, que chique é a música da MPB, de artistas como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Chico Buarque, Geraldo Azevedo, Tom Jobim, Djavan, etc. Enquanto que música brega é a cantada por Reginaldo Rossi, Odair José, Fernando Mendes, Lindomar Castilho, Diana, Paulo Sérgio, Nilton César, etc. Recentemente tem sido chamado de brega até a música sertaneja e o pagode. Acredito que essa visão preconceituosa não se consolidou majoritariamente por causa dos artistas da MPB, mas sim porque muitos fãs e gente da mídia secular sempre acharam que o modelo de música de sua preferência é o que deveria ser imposto aos outros. Até aí não tem problema, porque de alguma forma todos nós gostaríamos que as pessoas gostassem da música que a gente gosta. Entretanto fazer isso falando mal, denegrindo a imagem e talento dos cantores e grupos que as outras pessoas gostam é errado uma tentação que devemos evitar.

   Como se vê com freqüência na mídia secular, é muito comum haver incidentes e inimizades entre artistas que trocam ofensas socos e pontapés, decorrentes de críticas ou descrédito do trabalho um do outro. Além de terem de se explicar, sofrem chacotas, desprezo e boicotes da mídia secular e dos fãs. Alguns artistas têm até se tornados antipáticos por causa desse desrespeito ao trabalho e gosto do outros.

   É preciso ter cuidado para que mantenhamos uma postura cristã, que nos qualifique como exemplos de humildade, respeito e amor ao próximo. Expressões atribuídas a artistas e bandas gospel como o/a pior, eu odeio, eu detesto, eu abomino, etc, devem ser abolidas do nosso vocabulário. Isso não quer dizer que não deva haver crítica no meio gospel, mas que devemos fazê-la com franqueza, coerência e respeito. No geral a gente deve criticar o CD e não o artista. Por exemplo: a gente não deve criticar o vocal e o estilo porque isso é uma questão de gosto. O que se pode criticar são coisas como afinação, letras, mixagem, fotos e desenhos, dentro de um leque de critérios coerentes a serem expostos claramente.

   Na música gospel há diversos exemplos de CDs de cantores e bandas que não são de boa qualidade. Isso é decorrente da falta de dinheiro, paciência e até mesmo de talento. Agora importar os conceitos de brega e chique para designar esses trabalhos é um perigo para nós, porque atrás desses conceitos vem uma ideologia preconceituosa, orgulhosa e pecaminosa, que não aceita o próximo do jeito que ele é, com seus gostos e preferências musicais, que esquece que todo talento é dado por Deus. Por isso não dá para aceitar a existência do conceito de brega e chique no meio gospel.

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