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Autor: SALVADOR DE SOUSA
Edição:
2ª edição - 27/08/2007
: 6

Pirataria gospel

    Pirataria é o ato de copiar CDs com o intuito de comercializá-los por um valor sempre mais barato do que os CDs saídos das indústrias, gravadoras e lojas legalizadas. É um termo agressivo que foi adotado para inibir, denegrir e proibir essa prática. Infelizmente a pirataria de CDs tem tomado proporções alarmantes no Brasil. Segundo a ABPD - Associação Brasileira dos Produtores de Discos, do total de CDs vendidos, a pirataria representava 3% em 1997 e 59% em 2002. Esses dados colocaram, nesse período, o nosso País em terceiro lugar no ranking mundial de pirataria, perdendo somente para a China e a Rússia. São quase 115 milhões de CDs piratas vendidos por ano no Brasil. As conseqüências disso tem sido catastróficas, pois a cada ano o governo tem deixado de arrecadar R$ 250 milhões em impostos. Também, nos últimos anos quase 2000 lojas de discos fecharam suas portas em todo o País. Houve também uma diminuição de 30% do número de funcionários das gravadoras, bem como 18% dos seus artistas contratados. Atualmente 85% dos CDs pirateados são de artistas brasileiros, o que tem prejudicado muito o mercado interno. Em suma, o mercado de CDs originais é um setor que está registrando, a cada ano, queda no crescimento, enquanto o mercado de CDs piratas está de "vento em popa", movimentando a milionária quantia de R$ 780 milhões por ano.

   A situação anda muito séria, pois já existem milhões de pessoas que sensibilizadas com as pessoas que sobrevivem de CDs piratas, condenam a perseguição dos artistas e gravadoras, bem como a ação repressora das autoridades policiais e políticas. Isso é muito perigoso, pois pode gerar uma antipatia geral entre os fãs, a tal ponto de desmotivar a compra de CDs e a ida a shows. Vale ressaltar que quem compra CDs piratas não é somente o fã pobre, que ganha um salário-mínimo. Existem milhões de pessoas que têm renda mensal acima de 10 sálários-mínimos e que não compram CDs originais por achá-los muito caros. As tentativas de solucionar esse problema, tem sido as mais diversas tais como: colocação de dispositivos anti-cópias, campanhas pedindo à população para não comprar tais CDs, campanhas para incentivar ao povo a denunciar focos de pirataria, repressão policial com indiciamentos e prisões, ampliação das penas para pirataria, criação e manutenção da CPI da Pirataria no Congresso, estabelecimento de um dia nacional de combate à pirataria (03/dez) e a já famosa destruição pública de CDs piratas apreendidos. O que se pode constatar é que tais medidas não tem sido suficientes para resolver esse problema. Em outras palavras, a impressão que se passa é que essas ações de combate à pirataria não tem tido efeito algum. É só dá uma olhada nas ruas, esquinas, feiras e praças da cidade para se ver a quantidade de CDs piratas, vendidos a um preço de R$ 3,00. E as pessoas continuam comprando, pois elas querem ouvir e dançar as músicas dos seus artistas prediletos, nem que seja através de CDs piratas.

   Nesse combate à pirataria de CDs falta o item mais importante que é a concorrência com o CD pirata, ou seja, é preciso baixar o preço do CD original para que ele seja mais atraente de se comprar do que o pirata. Sem isso o conjunto de ações para eliminar a pirataria de CDs nunca terá sucesso estrondoso. Vai ficar parecendo com o que acontece hoje com o combate às drogas: há leis rígidas, repressão policial, ações políticas, mobilização de entidades, destruição pública de drogas, conscientização da sociedade, etc, porém isso tudo não tem eliminado, ou pelo menos diminuído, drasticamente a produção e consumo de drogas. Está faltando alguma estratégia ou ação mais eficiente. Tanto o combate às drogas quanto o combate à pirataria estão exigindo "a cartada final". No caso das drogas não sei qual é, mas no caso da pirataria de CDs todo mundo já sabe: é a diminuição do preço do CD. Não pode um CD ser vendido a R$ 29,00. Não é um preço que contribua para combater a pirataria, pelo contrário, quanto mais caro for o CD original, mais sucesso terá o CD pirata. Por isso um CD original deveria ser vendido entre R$ 6,00 e R$ 12,00 ao consumidor.

   Quanto à pirataria de CDs evangélicos, ela ainda não é tão forte quanto na música secular. Mas a tendência é crescer, como aconteceu no caso de cassetes piratas, com música evangélica, no tempo do LP. É sempre bom lembrar que há, infelizmente, milhões de evangélicos desempregados e mal-assalariados, cujo rendimento mensal não dá nem para comprar uma Bíblia, quanto mais comprar freqüentemente CDs ao preço médio de R$ 18,00 o nacional e R$ 24,00 o internacional. Se os artistas, gravadoras e lojas evangélicas não tomarem precauções, o que está acontecendo no meio secular se repetirá em nosso meio. Aí será bem provável haver venda de CDs piratas ao lado ou na frente de lojas evangélicas e igrejas. Então o artista evangélico, que no geral lucra pouco, vai ter que dividir ou continuar dividindo o ministério com algum emprego para complementar a renda familiar. As gravadoras vão ter de diminuir os investimentos em novos talentos, terão que desempregar pessoas e serão forçadas a ficarem com o cast fechado em poucos artistas, especialmente aqueles que dão mais lucros, ou seja que vendem CDs na casa de centenas de milhares. Além disso, lojas evangélicas acabarão fechando para evitar prejuízos, afinal é difícil elas sobreviverem vendendo somente livros, enfeites e camisetas.
Visando evitar que o caos se instale em nosso meio, gostaria de dar as seguintes sugestões para consumidores, artistas, lojas e gravadoras evangélicos:

   1ª - "DAR A CESAR O QUE É DE CESAR"

   Os artistas, lojas e gravadoras evangélicas devem sempre fazer questão de que todos os impostos sejam pagos. A nota fiscal deve ser emitida mesmo que não haja solicitação. Veja o bom exemplo daqueles quiosques de sorvete do Mac DONALD. Eles sempre dão, mesmo que a gente não peça, o cupom fiscal de uma casquinha de sorvete que custa R$ 1,50. Muitos lojistas chamam de pirata o vendedor ambulante, etc, mas o lojista que vende CDs sem emitir nota fiscal é de certa forma um pirata também, pois está roubando os impostos do governo. E se não der nenhum desconto substancial ao consumidor está lhe roubando, também. Ora, se ele sonega impostos o CD poderia ser vendido bem mais barato, mais isso nem sempre acontece.
   Qual o objetivo de se pagar os impostos? Poderia dizer que por uma questão de honestidade, que é uma excelente qualidade que todo cristão/ã precisa ter e praticar. Mas é importante pagar todos os impostos, também, porque só quem é legal tem moral para exigir legalidade dos outros. Como Jesus disse: "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho. Como você pode dizer ao seu irmão: Deixa-me tirar o cisco do seu olho, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão" (Mt 7:3-5). Também Ele disse: "Dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mc 12:17).

   2ª - EVITAR O NOVO PECADO

   Obviamente a Bíblia não menciona a pirataria como pecado, entretanto se considerarmos que sua prática envolve pecados como a mentira, engano, ódio, desobediência às leis do País, etc, e que as máfias e gangues envolvidas na produção e distribuição praticam ameaças, violência física e até assassinatos, devemos considerar que pirataria é um erro, um mal, um pecado.

   Pirataria de CDs evangélicos é pecado, ou seja, sob hipótese alguma o crente deveria comprar CDs piratas. Se fizermos isso evitaremos prejuízos aos nossos próprios irmãos, companheiros de fé e mesmo destino. Também evitaremos que pessoas mercenárias, não-evangélicas, venham à caça do nosso abençoado dinheiro. É preciso que as igrejas, artistas, gravadoras e lojas vistam essa camisa. Se isso não acontecer, corre-se o risco de milhões de irmãos da comunidade evangélica acharem que não tem nada a ver, que comprar CD piratas não é pecado, que errado é somente produzir os CDs piratas. Como os mais interessados nessa história são os artistas, gravadoras e lojas, é preciso utilizar todos os recursos da mídia evangélica para conscientizar a todos que pirataria é um pecado que precisamos evitar.

   3ª - AS GRAVADORAS DEVEM FAZER SUA PARTE

   As gravadoras evangélicas precisam armar estratégias para redução do custo do CD ao comprador, tais como fazer produções mais baratas, baratear frete, etc. Deve fazer isso até por uma questão de sobrevivência. Já imaginou o que acontecerá com os lucros das gravadoras se os evangélicos em sua maioria não sentir nenhuma culpa ou receio de comprar CDs piratas?! Por isso digo que se as gravadoras diminuírem seus custos de produção, distribuição e até mesmo seus lucros exorbitantes, o CD vai chegar mais barato nas lojas, aí as pessoas comprarão com mais freqüência e, por consegüinte, as lojas farão mais pedidos às gravadoras. Nisso todos saem lucrando.

   4ª - AS LOJAS EVANGÉLICAS DEVEM FAZER SUA PARTE

   As lojas evangélicas precisam dar um jeito de vender CDs mais baratos, mesmo emitindo nota fiscal. Elas precisam fazer promoções não somente de CDs encalhados, mais também de novos. Também precisam dar descontos reais aos fregueses assíduos ou àqueles que compram em grande quantidade. Em suma a palavra promoção e desconto deveriam estar mais presentes nas lojas evangélicas. Outra preocupação a mais que as lojas evangélicas devem ter é que as grandes lojas, como as LOJAS AMERICANAS, e hipermercados, como o EXTRA e o CARREFOUR, têm vendido CDs evangélicos bem mais baratos, às vezes com diferença de R$ 6,00. Ou seja, está mais interessante comprar CDs evangélicos por lá. As lojas evangélicas têm que se cuidar.

   Em suma, não podemos aceitar e aprovar a pirataria no meio evangélico. Ela é um ato prejudicial a todos os evangélicos em termos financeiros, emocionais e espirituais. E a melhor forma de evitar a pirataria em nossa música é fazer com que todos os evangélicos não comprem CDs falsificados, até mesmo os CDs piratas de música secular. Se os cristãos evangélicos deste País não tomarem essa atitude, o nosso testemunho na sociedade brasileira pode ficar comprometido, uma vez que o povo evangélico pode ficar com a imagem de que não tem ética, moral e respeito às leis do País, pois além de não procurar evitar, patrocina e sustenta a pirataria, que é condenada até mesmo no mundo.


 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

   ABPD - Associação Brasileira dos Produtores de Discos
   www.abpd.org.br

   JACOBSON, Marcus Vinicius. Pirataria: a inimiga nº 1.
   JACOBSON, Marcus Vinicius. Pirataria: um mal que pode ser necessário.
   www.mvhp.com.br

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