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Autor: SALVADOR DE SOUSA
Edição:
1ª edição - dezembro/2003
: 8

Catedral - ontem e hoje

 I - INTRODUÇÃO

   O ano de 2003 marca um período de várias surpresas para banda CATEDRAL, como também para os fãs e ex-fãs. A banda teve seu contrato rompido pela própria WARNER. Recebeu o convite da LINE RECORDS para gravar seu novo CD Acima do Nível do Mar, que teve ampla divulgação em programas da TV RECORD e na mídia evangélica. O KIM foi contratado pela LINE até 2005 para gravar 3 CDs da carreira-solo. O CEZAR, irmão do KIM e JÚLIO, excelente guitarrista, morre tragicamente em 21 de julho, desfalcando para sempre a banda. E por isso tudo, a banda voltou à mídia evangélica dando diversas entrevistas. Algumas delas dão informações e esclarecimentos de forma clara, franca e honesta, como também revelam um KIM ainda magoado com quem lhe prejudicou, irritado com seus críticos e preocupado em deixar claro que a banda não está retornando exclusivamente ao mercado gospel como fazia no passado.

   A saída da banda para o mercado secular, bem como o seu retorno a uma gravadora gospel está cercada por mal-entendidos e dúvidas. Há até evangélicos que acham que a banda estaria voltando porque teria fracassado no meio secular. Outros estão até maldosamente dizendo que eles querem abusar novamente da boa vontade dos evangélicos. Bem, isso são especulações perigosas que precisamos evitar. Por isso, gostaria de resgatar algumas informações sobre esses acontecimentos, fazendo uma releitura crítica e construtiva, onde analiso nossas falhas e as da banda CATEDRAL. Também proponho sugestões de como devemos tratar essa banda daqui para frente.

   Como pregador, acabei escrevendo este artigo ao estilo de um sermão. Não me levem a mal por isso. Quero deixar bem claro que não pretendo com ele comprar briga com ninguém. Também não pretendo defender a banda, ou a MK, ou a rádio Melodia ou os fãs e ex-fãs. Meu compromisso é com a música gospel e acima de tudo com Deus, para buscar e fazer prevalecer somente a verdade, diante de tantas confusões e intrigas. Sei que todo assunto polêmico incomoda, especialmente se há no meio mágoas. Entretanto acredito que essa história está inacabada, incompleta, mesmo havendo um grande interesse do KIM em pôr um ponto final nela. Infelizmente não se resolvem problemas de forma unilateral é preciso atitudes de ambas as partes, ou seja da banda e dos fãs. Não desejo, também, que esse texto seja considerado perfeito e inquestionável, mas uma referência que nos ajude a botar de vez um ponto final nesse triste episódio da nossa música gospel.

II - CATEDRAL, ROCK E IGREJA

   Muitos evangélicos têm um defeito grave herdado do meio secular. Quando não gostam de uma determinada banda ou cantor, do seu estilo e vocal, tendem a depreciar, e a desincentivar os/as demais irmãos/ãs a não gostarem do trabalho. Não têm a humildade de aceitar o gosto dos outros querem impor seu gostocentrismo. Por isso exaltam suas preferências musicais, mas falam mal e demonizam as dos outros, especialmente se for rock. Milhares de irmãos/ãs não têm respeitado aqueles que gostam da música da banda CATEDRAL ou qualquer outra banda de rock gospel, pronunciando muitas vezes adjetivos que estão longe do modelo de conduta cristã. A falta de domínio próprio tem levado muitos a amaldiçoar, difamar e caluniar.

   É triste saber que talvez milhões de irmãos e irmãs no Brasil ainda nutrem preconceitos e aversão ao rock e às novas vertentes que dele têm surgidos, tais como por exemplos o punk, death metal, grind core e o hardcore. Não há nenhuma base bíblica para condenarmos o rock gospel. Qualquer tentativa de se fazer isso pode levar à distorção da Palavra de Deus, bem como pecar por julgamento e abuso de autoridade pastoral. Nossa luta não pode ser contra o rock. Através dele milhares têm sido levados a Cristo. Fechar essa porta de evangelismo e edificação é lutar contra Deus. O rock gospel esta aí há mais de 18 anos e não vejo nenhum sinal de extinção. Por que continuar desgastando-se em extinguí-lo da Igreja?

   Muitas pessoas têm uma certa "bronca" com a banda CATEDRAL por causa da semelhança com a banda LEGIÃO URBANA, como se ser parecido com alguém fosse algum pecado e não um dom de Deus. Queiram ou não queiram, há realmente uma certa semelhança entre as duas bandas com relação ao vocal e ao estilo, todavia há mais diferenças do que semelhanças. E essa semelhança, segundo já afirmou o KIM, não é proposital, ou seja, não constitui objetivo ou meta pessoal se parecer com o Renato Russo. Agora não há nada de errado em ser parecido, propositadamente ou não, com um/a artista ou banda. O que não se deve fazer é imitar o estilo de vida pecaminoso do/s artista/s. Vale ressaltar que essa questão de imitação não é exclusividade da música, pois há pastores que imitam outros pastores, pregadores que imitam outros pregadores, professores da escola dominical que imitam outros professores, escritores cristãos que imitam outros escritores e até mesmo irmãos/ãs que imitam outros/as. Não há condenação bíblica para isso, a não ser que haja claramente idolatria ou imitação do estilo de vida pecaminoso do/a outro/a. Agora é interessante observar que existem outros cantores e bandas gospel que cantam e tocam parecidos com outros/as. Quantas cantoras, por exemplo, imitam a CASSIANE? E quantos CDs de igrejas e comunidades imitam o ministério DIANTE DO TRONO? O que dizer do J. NETO que canta parecido com o Roberto Carlos? E o que dizer das igrejas que fazem coreografias em seu louvor, que parecem com as missas do Padre MARCELO ROSSI? Quem critica a banda CATEDRAL por esse argumento da imitação e não critica os/as outros/as, está utilizando dois pesos e duas medidas, o que é incoerência.

   Muita gente, também, têm se incomodado com algumas críticas eclesiásticas feitas pela banda. No âmbito da música isso só está presente em umas 3 ou 5 canções, de forma sutil e respeitosa, não estando direcionada especificamente a nenhuma igreja evangélica. Isso nunca foi motivo de polêmica a não ser quando o KIM as fez inapropriadamente em entrevistas. Em algumas delas falou além da música, o que é sempre perigoso para a carreira do artista, pois pode ser mal interpretado. A igreja como corpo de Cristo é inquestionável, mas como instituição religiosa composta e administrada por homens pode ser questionada. Quantos homens de Deus têm feito isso através da pregação, ensino e escrita! Cito como exemplo o Caio Fábio, Ricardo Gondim, Robinson Cavalcanti, Israel Belo de Azevedo, Ed René Kivits, Ricardo Barbosa de Sousa, Rubem Amorese, Ariovaldo Ramos, Paulo Romeiro, etc. A música gospel é, também, um ótimo meio de se criticar o aspecto institucional da igreja. Muitos cantores e bandas têm feito isso. Essa atitude é benéfica às igrejas, pois não há reflexão, auto-sondagem, amadurecimento, aperfeiçoamento e mudanças sem críticas, sem questionamentos, sem trazer à tona nossos pecados. Se a música faz isso, ela passa a ser um instrumento que serve de alerta, exortação e encorajamento para que a igreja, enquanto na terra, possa auto-sondar-se e certificar se está fazendo a vontade de Deus em todos os aspectos.

III - CONSEQUÊNCIAS DAS ENTREVISTAS

   Muitos evangélicos condenaram a banda CATEDRAL por causa de uma entrevista divulgada no site USINA DO SOM, a qual me parece que foi a raiz de todos os problemas que envolveram a banda. Acredito que eles estavam ali tentando cumprir sua missão de alcançar o público secular. Quem é que iria imaginar que o fruto dessa entrevista iria para o site do jeito que foi? O tragicômico é que esta matéria foi feita por um jornalista não-evangélico, em um site não-evangélico, destinado a um público não-evangélico, que milhares de evangélicos acreditaram 100% nele. Mas eu pergunto: Em quem deveríamos acreditar? Nesse jornalista desconhecido, que não tem, pelo que eu saiba, nenhum compromisso com Cristo e muito menos com a música gospel ou nos membros da banda CATEDRAL, os quais conhecemos melhor? Se quisermos exercer a justiça, é preciso exercer o direito à defesa, averiguando os fatos e apresentando provas que vão além do disse-me-disse. Mas é preciso, também, ter um espírito disposto a dar maior crédito àqueles que estão a serviço do Reino, especialmente sabendo ou desconfiando que pode estar havendo perseguição das trevas. É preciso não somente apoiá-los como defendê-los de acusações ferrenhas e mundanas, quando manifestadamente injustas. Isso não deve valer somente para a banda CATEDRAL, mas para todas as bandas que sofrerem perseguições assim.

   A banda deixou claro, em notas oficiais e públicas, que não disse nem quis dizer aquilo que lhe é atribuído no artigo, especialmente aquelas palavras que foram ofensivas a nós, evangélicos. Afirmou claramente que o jornalista acrescentou na entrevista palavras e frases não-ditas e nem autorizadas que chegou a reclamar ao próprio jornalista que enviou uma nota de protesto ao site USINA DO SOM que fez uma segunda entrevista retificadora, mas não foi colocada no site do USINA. O triste disso tudo é que pastores e membros preferiram acreditar na versão desse jornalista, sem fazer nenhuma averiguação ou apuração das acusações.

   A gravadora MK, em sua nota oficial, veiculada na Internet, disse que havia conversado com o jornalista e que este "confirmou todas as opiniões emitidas na matéria", mas não disse se averiguou as informações com a própria banda. É evidente que o jornalista não iria se queimar, que iria negar sua culpa até o fim. E pela reportagem da revista ECLÉSIA e a nota oficial da gravadora, o jornalista recebeu todo o crédito e confiança da MK. E aí prevaleceu aquele velho defeito nosso de acreditar mais nos outros do que nos da própria "casa". Causou-me a impressão de que a MK queria mesmo era se livrar do abacaxi e não descascá-lo, afinal conversar francamente com a banda para averiguar os fatos, acreditar em seus integrantes, ficar do lado da banda e articular um plano de defesa dela, parecia uma estratégia muito desgastante e arriscada para os negócios da empresa.

   Esclareço que assim como não tenho nenhum vínculo direto com a banda CATEDRAL, não tenho nada contra a gravadora MK. Na verdade a considero uma gravadora de excelente qualidade. Tenho, inclusive, comprado vários LPs e CDs produzidos por ela desde sua existência, entretanto faltou uma melhor apuração dos fatos antes de tomar aquela decisão, ou se o fez, que tivesse deixado mais claro em sua nota oficial, uma vez que sua atitude de rescisão do contrato com o KIM, bem como a decisão de não comercializar mais seus CDs e os da banda CATEDRAL, tiveram uma repercussão muito negativa na opinião pública evangélica. A nota da gravadora se preocupou em atender aos fãs descontentes, mas esqueceu dos milhares de fãs que ficaram do lado da banda, que deram mais crédito aos diversos esclarecimentos dela, do que à pequena nota de esclarecimento da gravadora. Será que esses fãs não mereciam a devida consideração? Mereciam sim, pois estiveram 6 anos comprando os 10 CDs da banda CATEDRAL e do KIM produzidos pela MK, dando-lhe grandes lucros. A postura da gravadora me gerou duas dúvidas: Não teria a MK sido um instrumento de vingança, de alguns fãs ressentidos, que pressionaram na época a gravadora, com seus protestos e reclamações? Depois de 6 anos de mútua convivência, não havia entre a MK e a banda uma relação de amizade e confiança?

   Com relação à entrevista e debate na Rádio Melodia, a banda foi muito prejudicada, porque da forma que foi feita não foi uma entrevista para se compreender e se explicar as razões e decisões da banda para o público, aliás os rumos que o evento tomou teve a imagem de um processo de "inquisição". A presença de pastores que não tinham nada a ver com rock gospel, que talvez nunca ouviram, que talvez nunca gostaram da música da banda CATEDRAL e nem de rock justifica isso. O que eles estavam fazendo ali? E aí diante de tanta incompreensão e palavras agressivas, sem amor, a banda não teve condições psicológicas e tempo suficiente para se explicar claramente. A entrevista era necessária, mas da forma como foi conduzida não foi sábia, pois os ânimos ficaram acirrados entre os participantes e ouvintes, gerando ódio em muita gente e a impressão de que a banda estava negando e abandonando a fé, o que não era verdade.

   Soube por boca de outras pessoas que a banda CATEDRAL teria dado uma entrevista, em 2001, ao programa do JÔ SOARES, e lá foi acusado pelo próprio apresentador de ter negado Cristo três vezes durante o programa. A verdade é que a banda CATEDRAL nunca esteve no programa do JÔ, portanto isso foi invenção de alguém que estava afim de prejudicar a banda. Como isso foi passando de crente para crente, até eu mesmo acreditei nessa mentira. A gente sempre parte do pressuposto de que o evangélico preza e prega a verdade. Hoje gosto de averiguar a informação antes de acreditar nela, pois tem muita gente que diz ser de Cristo quando não é. Até hoje eu fico me perguntando que tipo de cristão é esse que inventou e difundiu essa mentira. Será que ele/a se arrependeu? Poderia ser considerado/a um/a discípulo/a de Jesus Cristo, que "é o caminho, a verdade e a vida"?

IV - AS MUDANÇAS DA BANDA

   Em 1999 a banda trocou a gravadora MK pela Continental East West do grupo WARNER MUSIC. Conforme informação contida no site TOP GOSPEL e na entrevista feita com o KIM para a revista ECLÉSIA, o convite foi feito pela própria WARNER. Esta gravadora já produziu diversos CDs gospel, tais como os dos cantores ÁLVARO TITO (Grandes Momentos), CARLINHOS FELIX (Coisas da Vida), NELSON NED (Jesus Está Vivo e Glórias a Jesus) e os das bandas ECCOS (Diferente), GERD (In Memorian e Sempre Juntos), DIVINA INSPIRAÇÃO (Fonte de Inspiração), REBANHÂO (Grandes Momentos). Os dois CDs do RODOX, que podem ser considerados gospel pela comunidade evangélica, também são da WARNER. O que quero dizer com esses exemplos é que essa gravadora secular tem estado há muitos anos aberta à música gospel, sem exigir mudanças que obriguem o cantor ou banda a deixar de cantar música gospel. Por isso podemos deduzir que a mudança nas letras da banda CATEDRAL, especialmente visível nos CDs Mais do que Imaginei e 15º andar, foi uma decisão da própria banda. Esses dois CDs não são gospel por estarem em uma gravadora secular não são porque suas letras não falam direta ou indiretamente do Rei Jesus e do seu Reino.

   A banda não fracassou no meio secular, afinal vendeu mais de 250 mil cópias dos 3 CDs produzidos pela WARNER. Mas essa quantidade não refletiu os números que essa gravadora esperava. Veja por exemplo um caso de outra banda de seu cast, PARALAMAS DO SUCESSO, que vendeu essa mesma quantidade somente com o CD Longo Caminho. A banda teve três chances, mas não prosperou. Não foi por causa da pirataria todas as bandas têm sido vítimas dela. Não foi por falta de propaganda houve ampla divulgação em programas de TV e rádio. Não foi pelo preço as LOJAS AMERICANAS chegaram a vender o CD 15º Andar por R$ 9,90 não é porque é CD de rock os TITÃS venderam mais de 500 mil cópias do seu recente CD A maior Banda de Todos os Tempos da Última Semana.
Pelo que li das entrevistas, não era propósito da banda CATEDRAL deixar de gravar música gospel. O que ficou evidenciado é que o grupo desejava expandir seu trabalho no meio secular. A prova clara é que o CD de estréia na WARNER, Para Todo Mundo, é gospel. Uma vez que o filme da banda ficou queimado, após aquela entrevista polêmica, não restava outra alternativa a não ser tentar consolidar a carreira no meio secular, cantando o tipo de música aceito por esse meio. Muita gente interpretou por si só que essa mudança significava abandono da fé, quando afinal de contas não era. Muita gente estava ou ainda está esperando pedido de perdão da banda por causa disso. Ora, se a banda tiver que pedir perdão deveria ser por outras coisas, menos pela mudança de mercado em si. No geral não há nenhuma base bíblica ou teológica para condenar o músico cristão que vai tocar e cantar música secular. Temos dezenas de artistas evangélicos nessa situação.

V - CATEDRAL E SUA OBRA GOSPEL

   O legado gospel da banda CATEDRAL é bastante expressivo: são 15 trabalhos incluindo o novo CD Acima do Nível do Mar, o CD Para Todo Mundo, 01 CD em espanhol, 01 CD instrumental com o guitarrista e o baixista, 01 LP ao vivo comemorando os 5 anos da banda e 01 CD reunindo mais de 10 grandes sucessos da banda, especialmente do tempo que estavam na PIONEIRA. São mais de 100 composições gospel. Se incluirmos os CDs da carreira solo do KIM, 06 ao todo, esse legado torna-se mais ainda expressivo.

   Muitos não têm considerado o CD Para Todo Mundo um trabalho gospel, porque foi divulgado na mídia gospel que não se tratava de um CD gospel. Obviamente essa informação não veio a princípio da banda, como se pode constatar na parte de entrevistas do site TOP GOSPEL. Mas como esse CD foi produzido e lançado pela WARNER, o preço ficou mais elevado para revenda. Como conseqüência disso veio a ocorrer uma inibição da comercialização por muitas lojas evangélicas. Isso tudo causou a impressão de que realmente não era um CD gospel. Entretanto, insisto que esse CD é gospel é só analisar suas letras, que se constatará que a banda CATEDRAL mantém a mesma linha dos CD anteriores, especialmente dos CDs A Revolução e O Sentido, bem como se mantém fiel aos valores e princípios cristãos. Para ser mais específico, a palavra Deus aparece em 5 faixas, 2 faixas são relançamentos de álbuns anteriores e dentre os músicos que tiveram participação na gravação desse álbum, dois pelo menos são bastantes conhecidos no meio gospel: Zé Canuto (sax) e Mito (teclados). É bem verdade que atualmente a banda o têm divulgado apenas com o rótulo de pop/rock, mas todo o legado gospel da banda é de pop/rock. Por tudo isso o 1º CD pela WARNER, Para Todo Mundo (1999) é ainda um CD gospel, todavia os CDs Mais do que Imaginei e 15º Andar realmente não são. Há neles falta de religiosidade ou de qualquer referência que nos remeta a Cristo e ao seu Evangelho.

   O fato de a banda ter mudado de mercado não invalida seu legado gospel, pois foi feito com carinho, com muito profissionalismo dentro de cada época e todos os CDs a partir da MK foram consagrados a Deus, por escrito, como se pode ler nos encartes. Quando um membro sai de uma igreja, os bens e/ou dízimos e/ou ofertas doados não são invalidados, ou seja boicotados, devolvidos, rasgados, queimados ou quebrados pelos pastores e membros, por que então seriam invalidados somente CDs? Portanto, quebrar CDs, desincentivar interressados em comprar os CDs, desejar o insucesso da banda é praticar o pecado da vingança. Além do mais, corre-se o perigo de se praticar a tríade satânica: roubar, matar e destruir a obra que o CATEDRAL nos legou e está consagrada a Deus.

VI - CONSIDERAÇÕES GERAIS À BANDA

   Pelo fato de os integrantes da banda CATEDRAL serem membros de uma igreja evangélica, de querer que sua música seja apreciada e consumida pelos evangélicos, devem procurar ter sempre uma postura amistosa e cristã diante desse povo, afinal eles são seus irmãos e irmãs em Cristo, também. Há realmente evangélicos que não merecem nenhuma consideração, mas a gente não deve se basear ou se mirar neles. Há muita gente boa, "super-cabeça", culta, inteligente no meio evangélico. No que couber à banda, deve se portar com simpatia, gentileza, amabilidade diante de todas as pessoas. É isso que fecha a boca dos maliciosos. É isso que paga o mal com o bem. Palavras agressivas e/ou frias devem ser evitadas, a todo custo, ao se referir ao povo de Deus. Em outras palavras, é necessário freqüentemente "rasgar a seda", sem chegar à bajulação e à hipocrisia. Até mesmo os artistas seculares têm esse cuidado, mesmo quando bastante criticados.

   A banda precisa reconhecer que a responsabilidade de uma entrevista é principalmente dela própria. O entrevistado é quem deve se preocupar com a divulgação de suas entrevistas, é quem precisa fiscalizar para que elas cheguem na mídia do jeito que foi feita. O entrevistado tem o direito de negar uma entrevista, como também tem o direito de escolher para quem vai dá-la. Depois quando acontece um estrago, não são os fãs que têm que assumir a responsabilidade por terem acreditado parcial ou totalmente nas declarações. Até porque nem sempre os fãs têm acesso às fontes, bem como visão e recursos para averiguar a verdade do que foi dito na mídia. Cabe, portanto, ao entrevistado a responsabilidade de desmentir de forma clara e convincente. Ao público cabe não ser precipitado, acreditando apenas na versão de quem acusa. Ser rotulado de gospel tem sido um incômodo constante para banda, aliás o KIM disse em uma entrevista que não gosta de etiquetas. Só que às vezes a banda se utiliza de rótulos tais como: "banda de rock-pop", "a melhor banda de rock/pop", "o maior guitarrista desse país". São grandes, mas não deixam de ser rótulos. Não estou com isso tirando os méritos da banda, mas conheço muita gente boa no meio gospel e secular, que compõe, toca e canta bem. Não deixaria de ser uma opinião pessoal eu determinar o melhor e o maior entre eles.

   Mesmo com dois CDs mais adaptados ao mercado secular, a banda CATEDRAL não extinguiu o rótulo de gospel, que lhe acompanhou nos quase 13 anos no segmento. Nem mesmo o novo CD Acima do Nível do Mar contribui para a desrotulação de gospel, a começar pela gravadora. Por isso ao meu ver a banda é mais gospel do que secular. Agora eu acho que é mais fácil e menos desgastante convencer a mídia secular que a música gospel da banda CATEDRAL é de boa qualidade do que fugir do rótulo gospel. Por último, devo salientar que a música gospel não visa somente o seguimento evangélico. Por uma questão de lógica tem sido seu público principal, mas o objetivo da música gospel é tão evangelístico quanto edificativo. Foi por isso que os cantores e bandas gospel foram para as praças, esquinas, ruas, avenidas, casas de shows seculares, etc. Lá estão principalmente as pessoas de todas as religiões e até dos sem religião, que podem estar ansiando por uma música diferenciada, com mensagem de fé, esperança, paz, justiça, alento, etc, que falta no meio secular. Muitos perderam essa visão, mas a música gospel não é somente para os evangélicos, é para todos. Porque o Evangelho de Jesus Cristo é para ser levado a todas as pessoas do mundo.

   Os evangélicos brasileiros são muito diferentes dos norte-americanos, aliás, mesmo que repita algumas coisas daquele país, sempre terá suas próprias características. A evangelização deles foi diferente da nossa, bem como sua fé e música tem a ver com sua cultura. Também o mercado de CDs de lá é bem diferente do nosso. Aqui os evangélicos separaram a música em gospel e secular. Isso não é atraso. Atraso é o que acontece nos EUA, onde ocorrem casos de não-convertidos estarem no topo das paradas cristãs, como aconteceu no caso da banda EVANESCENCE.

   Mudar de música gospel para secular gera conseqüências imediatas, pois para o público evangélico letra cristã é essencial, ou seja, o vocal e instrumental estão em segundo plano. Por isso não se pode achar que se muda de mercado sem haver afastamento de fãs. Ora, nem mesmo bandas seculares estão isentas de represálias dos fãs quando estas ou um cantor vai gravar música gospel. Não deixam de ser fãs verdadeiros por essa atitude, pelo contrário os fãs verdadeiros devem encorajar, com respeito e sem ódio, para que esta continue adotando a receita que ao seu vê deixa a banda com a mesma qualidade que a tornou conhecida, respeitada e amada. O verdadeiro fã só vai aonde o artista for se esta continua cantando o que ele concorda e gosta.

   Críticas sempre existiram e existirão no âmbito da música gospel. Todo artista deve ter a consciência de que é realmente necessário saber lidar com críticas, porque até mesmo no meio gospel elas devem existir. O correto é que elas deveriam ser sempre feitas com respeito e moderação, com o objetivo de aperfeiçoar o trabalho do artista e nunca desanimá-lo e destruí-lo. Infelizmente nem sempre isso acontece, todavia se essas críticas têm fundamento, é necessário respeitá-las, caso contrário, desconsideradas.

   A proposta da banda em fazer uma música para os dois públicos, evangélicos e não-evangélicos, é revolucionária. Ninguém tentou declaradamente fazer isso. Acredito até que muitos evangélicos abraçarão a causa, mas talvez a maioria resistirá, pois a igreja brasileira adora dualismos. Aliás no Brasil se vive e se sobrevive de dualismos. Um deles é música gospel x música secular, mas há outros tais como livraria evangélica x livraria secular, livro evangélico x livro secular, filme evangélico x filme secular, artigos evangélicos x artigos seculares, etc. Já imaginou o que aconteceria se não existissem esses dualismos? Uma coisa poderia acontecer: as livrarias ou lojas evangélicas perderiam o sentido de sua existência. De qualquer forma só com o tempo saberemos se essa idéia revolucionária irá vingar.

IV - CONCLUSÃO

   Não concordo e nem apóio a idéia e/ou prática que faça com que o legado gospel da banda CATEDRAL seja boicotado e/ou destruído, mas que seja restaurado e relançado para que as novas gerações tenham acesso a ele, também. A continuidade da prática de pecados como vingança, ódio, malícia, orgulho, falta de perdão e misericórdia é prejudicial à fé cristã dos envolvidos direto e indiretamente nessa história. Foi Jesus mesmo quem disse: "se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará se, porém, não perdoardes aos homens (as suas ofensas), tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas" (Mt 6:14,15). Face a esses versículos, eu pergunto que evangelho é esse que muitos evangélicos tem praticado, que não perdoa 70 x 7, que não esquece, que não dá uma segunda chance, que não tem compaixão e misericórdia, que só vê malícia, que julga e condena impiedosamente? Com certeza, esse não é o Evangelho de Jesus Cristo. Por isso, irmãos/ãs, é preciso parar com essas palavras agressivas e provocantes, direta ou indiretamente, bem como essa torcida pelo fracasso da banda CATEDRAL. À exemplo de Jacó, pode-se estar lutando-se contra Deus. Além do mais, se o nosso Deus quiser acabar, por exemplo, com a hipocrisia de alguém, ele não precisa nem de mim e nem de ti Ele é Deus, o Todo-poderoso.

   Estou considerando o novo CD Acima do Nível do Mar, que é um excelente CD gospel, como um presente da banda CATEDRAL a nós. Nada como um ótimo presente para restabelecer uma amizade. Estou plenamente convicto de que todos nós pastores, membros, mídia evangélica e a própria banda agimos injustamente, precipitadamente e, nalguns momentos, até irresponsavelmente. Em outras palavras demos espaço à ação de Satanás que se aproveitou para semear o mal. Infelizmente já durou, e muito, o tempo de mágoa, ódio, vingança, etc. Agora é tempo de perdoar, esquecer, deixar para trás tudo que passou. Começando com cada um individualmente é preciso perdoar, deixar a banda em paz e pôr realmente um ponto final nesse triste episódio da história da música gospel brasileira.


FONTES BIBLIOGRÁFICAS

Entrevista com o KIM. ECLÉSIA, ano VIII, nº 94, out/2003, pág. 16 a 21.

A Tragédia do Catedral. ECLÉSIA, ano VIII, nº 92, ago/2003, pág. 12 e 13.

Faroeste Caboclo, Revista ECLÉSIA, ano VI, nº 67, jun/ 2001, pág. 70 e 71.

www.amisaday.hpg.ig.com.br - para ler Nota de Esclarecimento que contém:
1. Entrevista do jornalista veiculada no site USINA DO SOM
2. Resposta do Grupo à entrevista acima
3. Nota da banda falando sobre a rescisão contratual do cantor KIM com a MK Publicitá
4. E-mail de protesto enviado pela banda ao USINA DO SOM e
5. Declaração Oficial da MK onde diz ter rescindido o contrato com o KIM e
deixado de comercializar os CDs do KIM e da CATEDRAL.

www.topgospel.com.br para ler o texto NOVA FASE DO CATEDRAL
www.inforum.insite.com.br
www.bandacatedral.com.br
www.forumgospel.com.br
www.clubecatedral.cjb.net
www.universomusical.com.br - entrevista com o KIM
www.supergospel.com.br - entrevista com o KIM
www.linerecords.com.br - entrevista com a banda

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